As observações de Rossetti são feitas a partir do trabalho desenvolvido por algumas ONGs, notando criteriosamente a relação da mídia com a escola, apontando para novos horizontes na formação crítica individual pela difusão da informação e a reestruturação midiática. Em meio ao que é desenvolvido por estas entidades, o autor sugere que tomemos como exemplo os resultados positivos, a fim de transformá-los em políticas públicas de comunicação e educação.
Foto senado.gov.br (Quantidade e qualidade da mídia influenciam a saúde das crianças e adolescentes)
Nos seis capítulos do livro, o autor questiona os métodos utilizados pelas escolas tradicionais, em que se usa o conhecimento pra fortalecer discursos, ao invés de promover a geração de novas lógicas. Ele defende ainda que as crianças estão cerceadas por “cargas de informação” e que, muitas vezes, não há aprofundamento nem discernimento do que lhe é benéfico ou nocivo.
Partindo do ponto de vista de teóricos como Martin-Barbero e Paulo Freire, Rossetti insere as explanações sobre tecnologia, comunicação e educação libertadora nos seus apontamentos, orientando os professores a fomentar a formação continuada e a profusão do conhecimento a partir dos signos da comunicação em que são incluídos todos os tipos de símbolos emitidos pelos meios, como os da publicidade, do jornalismo ou qualquer outro. Neste ponto, Rossetti se aproxima de Franklin Fearing (A Comunicação Humana), em que ambos defendem a formação do indivíduo através da interação com a comunicação. Neste processo de comunicação e educação são gerados estímulos, com os quais o indivíduo se locomove. Sendo assim, a comunicação pode estar numa placa de trânsito, num cavalete de obra no meio da rua, numa faixa preta numa loja fechada(luto), numa luz vermelha, entre muitos símbolos, comunicando e gerando um fluxo de informação entre o sujeito e o mundo. Quanto mais se percebe e se conhece estes signos, mas se detém discernimento e altivez social.
Desta maneira, o envolvimento da comunidade nos projetos desenvolvidos na vida escolar e nas redes comunicativas, facilitaria a formação de produtos educomunicacionais que sortiriam efeito com mais eficácia, além de favorecer a inserção dos cidadãos nos produtos midiáticos. Seria um trabalho em que a comunidade educadora promove a participação dos alunos, incumbindo-lhes o dever da construção de políticas públicas educacionais. Mesmo que os projetos observados tenham rendido resultados satisfatórios, Rosseti afirma que não é fácil computa-los qualitativamente, uma vez que eles são estendidos a todo e qualquer indivíduo que tenha ligação com o projeto.
Hoje, os educadores buscam implementar o ensino com ferramentas formadoras de opinião, haja vista que há a tentativa de democratização social e acesso aos meios educacionais e comunicativos, como é o caso da formação de diretrizes básicas de educação e a inserção de jovens de baixa renda no ensino superior privado, através de programas como PROUNI (Universidade para todos) ou “Pedagogia da Terra” (direcionado aos integrantes do Movimento dos Sem Terra) e a valorização do magistério, como ponto crucial.
Contudo, o autor tenta desvendar os nossos olhos para o balizamento ofertado pelos meios de comunicação, através do desenvolvimento educacional desde os primeiros passos até a formação crítica individual e a geração de políticas públicas eficazes, capazes de transformar o ato de um sujeito em uma cadeia de ações beneficiadoras do restante da sociedade, criando um círculo vicioso capaz de sanar as tensões sociais, que neste caso, agiria para a melhoria da vida em comunidade.
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