Josemar da Silva Martins (Pinzoh)
Professor
Ultimamente o falso-moralismo ombreia com o discurso de uma “sociedade aberta”. Professores andam sendo chamados a prestar esclarecimentos à justiça, e aos pais dos alunos e à sociedade, sempre que tocam em temas polêmicos. E a polêmica pode ser apenas o uso de um palavrão em sala de aula. O problema é que estamos vivendo, com patrocínio das grandes corporações da mídia e com verba pública, uma cultura do palavrão. Prefeitos não param de contratar bandas que fazem sucesso com sua linguagem chula, para divertir a multidão em praças públicas, cuja presença de crianças e adolescentes é majoritária. Tenho muitas cenas gravadas em vídeo, que sobraram da edição do vídeo “O Estado da Arte da Fuleragem” (2007). Mas nenhum deles é chamado a prestar esclarecimentos nem à justiça, nem aos pais, nem à sociedade como um todo. Todo mundo reivindica para si a “liberdade de expressão” e o seu direito à diversidade, tudo de acordo com uma moralidade e uma ética “a la carte”. Mas professor não! Professor não pode gozar desta liberdade, porque apenas ele é responsabilizado pela formação dos “valores”. Grande piada sem graça!
Mas, como diria Jean Baudrillard – e como diz Odomaria Bandeira – tudo não passa de simulação. Ou mais: puro simulacro! As insinuações de sexo explícito em praça pública e custeadas com dinheiro público, a erotização até dos programas infantis, tudo feito em nome da diversidade e da liberdade de expressão, a violência e o sensacionalismo de programas de TV que vivem de sangue e obscenidade, não resistem a um choque de realidade. Eis porque levei Ken Park (2002), filme de Lary Clark, para a sala do 6º período do curso de Comunicação Social – Jornalismo em Multimeios (DCH III/UNEB).
Conheço tanto os elogios quanto a crítica ácida ao filme. Nos dois casos o motivo é o mesmo: a explicitude com que os temas são abordados e as cenas são tratadas! Há momentos em que tudo é tão real, que a interpretação quase atinge o seu grau zero! Tudo ali! Cru! No duro! Uma mijada é uma mijada, uma chupada é uma chupada e um orgasmo parece ser um orgasmo mesmo! Mas não é um filme erótico, não lhe excita. Pelo contrário: lhe convoca e até lhe insulta! Aliás, difícil é assisti-lo passivamente! A realidade abordada não é feliz, há uma sombra de degradação, frustrações, complexos, profunda incompletude, razão porque se instala uma espécie de utopia juvenil ligada aos prazeres sexuais. Nada demais! O sexo virou um bom negócio até para vender carro, cerveja – e antes para vender até cigarro!
Ultimamente o falso-moralismo ombreia com o discurso de uma “sociedade aberta”. Professores andam sendo chamados a prestar esclarecimentos à justiça, e aos pais dos alunos e à sociedade, sempre que tocam em temas polêmicos. E a polêmica pode ser apenas o uso de um palavrão em sala de aula. O problema é que estamos vivendo, com patrocínio das grandes corporações da mídia e com verba pública, uma cultura do palavrão. Prefeitos não param de contratar bandas que fazem sucesso com sua linguagem chula, para divertir a multidão em praças públicas, cuja presença de crianças e adolescentes é majoritária. Tenho muitas cenas gravadas em vídeo, que sobraram da edição do vídeo “O Estado da Arte da Fuleragem” (2007). Mas nenhum deles é chamado a prestar esclarecimentos nem à justiça, nem aos pais, nem à sociedade como um todo. Todo mundo reivindica para si a “liberdade de expressão” e o seu direito à diversidade, tudo de acordo com uma moralidade e uma ética “a la carte”. Mas professor não! Professor não pode gozar desta liberdade, porque apenas ele é responsabilizado pela formação dos “valores”. Grande piada sem graça!
Mas, como diria Jean Baudrillard – e como diz Odomaria Bandeira – tudo não passa de simulação. Ou mais: puro simulacro! As insinuações de sexo explícito em praça pública e custeadas com dinheiro público, a erotização até dos programas infantis, tudo feito em nome da diversidade e da liberdade de expressão, a violência e o sensacionalismo de programas de TV que vivem de sangue e obscenidade, não resistem a um choque de realidade. Eis porque levei Ken Park (2002), filme de Lary Clark, para a sala do 6º período do curso de Comunicação Social – Jornalismo em Multimeios (DCH III/UNEB).
Conheço tanto os elogios quanto a crítica ácida ao filme. Nos dois casos o motivo é o mesmo: a explicitude com que os temas são abordados e as cenas são tratadas! Há momentos em que tudo é tão real, que a interpretação quase atinge o seu grau zero! Tudo ali! Cru! No duro! Uma mijada é uma mijada, uma chupada é uma chupada e um orgasmo parece ser um orgasmo mesmo! Mas não é um filme erótico, não lhe excita. Pelo contrário: lhe convoca e até lhe insulta! Aliás, difícil é assisti-lo passivamente! A realidade abordada não é feliz, há uma sombra de degradação, frustrações, complexos, profunda incompletude, razão porque se instala uma espécie de utopia juvenil ligada aos prazeres sexuais. Nada demais! O sexo virou um bom negócio até para vender carro, cerveja – e antes para vender até cigarro!
Além disso, há muitos escritos sobre o hedonismo do presente e sobre essa promessa de gozo extra-humano, sempre adiado, promessa não cumprida, razão de tantas frustrações, ansiedades e depressões.
Mas eu levei o filme e o exibi também por outras duas razões. A primeira é uma provocação a esta imagem sempre pretensamente bacana, descolada, liberal, eclética e outros termos típicos da linguagem pós-moderna. Para muitos – os que querem se parecer sempre mais abertos – o filme é um teste. E eles caem! A abertura derrepente se fecha, bruscamente! Não conseguem ver nada no filme! Da minha parte, o filme permite mapear uma sala e apresentar o seu avesso. O avesso do que parece! O avesso da simulação! Cai a máscara do simulacro! Prefiro os outros, os que o encaram e pensam sobre ele, sobre o seu discurso! Os que se pensam vendo filme!
A segunda razão é que estou trabalhando “Comunicação e Educação II”. Tenho sempre claro para mim que aquilo que hoje é nomeado como Educomunicação (que é o centro do sentido da disciplina), não é uma coisa que se faz ao léu, como se fosse uma “arte contemporânea”. Educomunicação é o engajamento da comunicação em algum propósito educativo. E engajamento é algo motivado por uma indignação. Até na filosofia de Heidegger a indignação é princípio motor da reflexão! Não se pode pensar em Educomunicação sem uma intenção de intervir num jogo de forças com vistas a alterá-lo de algum modo. E para isso é preciso vislumbrar algo sobre este jogo de forças! É preciso mapeá-lo minimamente! A questão seria pensar: que jogo de forças constitui a realidade de Ken Park? E se tivéssemos que intervir naquela realidade, sem pretensões totalitárias, que produtos educomunicativos teríamos que pensar.
Mas há sempre os que se acham mais espertos – e mais lindos – que todo mundo. Narciso se manifesta! E como o mundo atual é profundamente relativista, há os que dizem: “e se eu quiser ser reacionário e conservador, eu não tenho direito não?” Derrepente, a gente está diante de uma aula de como organizar uma aula e, o que é pior, diante de uma extroversão do princípio de liberdade de expressão, quando ela atinge seu contrário ao ser levada até as últimas consequências, algo do tipo: "se sou tolerante tenho que sê-lo até mesmo com os intolerantes". Ou o contrário: " se sou tolerante não posso sê-lo com os intolerantes", o que dá quase na mesma. Típico paradoxo de nossos tempos. Tô é velho!
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Mas, em compensação, saíram coisas fabulosas da discussão. Até uma noção de comunicação que não enxerga comunicação no silêncio, no não dito, no interdito! E isso depois de um texto de Franklin Fearing, sobre a comunicação humana. Também concordo que nem tudo tem que ser explícito, mas o explícito no filme deve ter uma intenção. Por outro lado, penso: que tipo de jornalista se negaria a ver e a pensar sobre um filme como Ken Park, com a desculpa de que nele não há comunicação? E que teoria da comunicação sustenta isso? Acho que só não valeria dizer: “eu disse isso mas vocês pensem o que vocês quiserem”. Dizer isso virou moda, já que qualquer elefante o diria também!
Congrego da mesma opinião, Pinzoh, sobretudo no que se diz respeito à tentativa de "omissão" dos pretensos jornalista sobre determinados assuntos, por "esse" ou "aquele" credo.
ResponderExcluirOra, eu, como jornalista, diante de um fato (o mais extraordinário, ou não) vou me abster? Ou escolher suprimir a essência desse fato, por estarem ligadas à sexo, violência ou política?
bem...
Vamos voltar à infância, vamos?
"É esse?
Não!
É esse?
É!!
Pera, uva, maçã, ou salada mista?"
Ops! Desculpa, salada naum pode!
[...]
"E ai, Cérebro... o que vamos fazer esta noite?"
"Vamos dominar o mundo, Pink"
kkkkkkkkkkkk
"Santa tartaruga"
ops!
Santa paciência!
ai ai
fala sério!!!
ResponderExcluirsem comentários....
passo a diante...
abster significa: não fazer algo, ou deixar de fazê-lo, por ESCOLHA PRÓPRIA.
ainda bem!!!
fique à vontade quem quiser..