a) O receptor por algum tempo foi visto apenas como um sujeito passivo, que absorvia toda a mensagem que o emissor lhe enviava. Entretanto, alguns teóricos se preocuparam com o conjunto de manifestações que compõem uma relação de comunicação. Como diz Peruzzolo (2004, p.133) há quem fala, que produz um acontecimento comunicativo e há que ouve/lê, que acolhe o texto , mas sobretudo o re-produz. Assim, os protagonistas do intercâmbio são dois sujeitos humanos.
Quando o emissor produz um texto ou qualquer outra forma de comunicação, ele antecipa a representação do leitor com o intuito de ser entendido. O emissor preenche seu texto com marcas culturais familiares ao leitor, desejando que ele entenda a informação nova presente no texto, tornando a relação de comunicação entre eles eficaz. A princípio o destinador partirá do conhecimento prévio do leitor e introduzirá no texto as informações supostamente desconhecidas que deseja transmitir.
Sendo assim, a mensagem utiliza de uma linguagem imbuída de informações, ideologias e impressões previamente compostas pelo autor do texto, que servirá como objeto de comunicação, caso os signos presentes nele tiverem significação simbólica para o leitor.
Tanto o emissor como o destinatário devem compartilhar conhecimentos culturais através da mensagem. Eles devem ter acesso à mesma língua ou pelo menos estarem aptos a decodificar determinados símbolos e compartilhar conhecimentos prévios nos mais diferentes âmbitos (icônicos, visuais, etc.)
No entanto, é importante ressaltar que mesmo o enunciador, tecendo seu interdiscurso para fazer sentido ao enunciatário, a resposta do leitor dependerá de um conjunto de fatores que envolvem a sua práxis social. Ele interpreta de acordo com sua experiência de vida. Como ressalta FEARING, as reações a estímulos nas situações de comunicação não são automáticas e mecânicas, mas sim dependem da totalidade de fatores culturais e de personalidade que cada pessoa leva para a situação.
b) A busca incessante pelo alcance de metas é inerente a natureza humana. Consciente ou inconscientemente, o indivíduo está a todo tempo reorganizando recursos externos e internos como valores e percepções, a fim de reduzir as tensões do meio em que se encontra inserido.
...o indivíduo sempre luta para reduzir as suas tensões. A necessidade de estruturação cognitiva, às vezes chamada de “necessidade de significação”, constitui, na realidade, a necessidade de estabelecer uma estrutura mais estável e, conseqüentemente, reduzir a tensão.
Cognitivamente, ele estrutura situações, universos para depois elaborar estratégias de superação. A isso dar-se o nome de “estruturação da realidade”. Essa estruturação não é um plano desenvolvido de forma consciente pelo sujeito da ação. Ela é automática e instantânea e precede toda e qualquer ação do indivíduo, inclusive em um simples ato comunicativo.
c) A apreensão do universo pelo homem está estritamente relacionada ao sistema de valores que o mesmo tem na percepção da realidade. Ao perceber um universo além do modo técnico-geométrico, que é a visão puramente objetiva do que é observado ou descrito, ele passa a se valer da percepção fisionômica que é a capacidade de perceber esta mesma realidade ou espaço com um pensamento criativo, que vai além da decodificação óbvia de signos explícitos para além da subjetividade humana.
d) Os estímulos comportamentais e geográficos, que regem as mais distintas formas sociais, estão intimamente ligados, exercendo interferências entre si. Cada sociedade vive sob o ditame de suas regras e convenções, campos comportamentais, que são determinados pelos campos geográficos: o próprio meio onde o grupo social está inserido.
Essa relação estabelecida mantém as estruturas sociais existentes, mesmo contrariando as possíveis aspirações individuais, que muitas vezes vão de encontro com os padrões preestabelecidos por cada grupo ou comunidade.
(MARCELA DIAS, MARIA DIONISIA E SÂNGELA RIBEIRO)
segunda-feira, 1 de junho de 2009
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