sexta-feira, 29 de maio de 2009

A subjetividade na construção de uma comunicação de sentido


No texto, A comunicação humana, Franklin Fearing faz consideraçõessobre o modo como se estabelece a interação do entendimento do homemapresentando uma cadeia construída na dependência das relaçõesmediadas a partir de questões culturais e individuais na produção deresultados que satisfazem a produção comunicativa. Segundo o autor quando o emissor tenta comunicar algo ao receptor,alguns fatores são importantes e decisivos para saber se haverá ou nãocomunicação.

Para tanto, o processo necessário para obtenção desteresultado deriva de uma construção não mecânica, pois depende dasrelações humanas, ou seja, sentimental, comportamental (pensamento econdutas). Desse modo, para que ocorra alguma mudança no comportamentohumano, é necessário haver um sentido compartilhado pelo produtor doestímulo e por quem é estimulado.Um desses “sentidos compartilhados” pode ser encontrado no que GeorgeH. Mead chama de “Assumir a atitude do outro”.

Isto é, um determinadoemissor, não estimula ou busca uma comunicação com o outro ao acaso,sem intenções, ele tem uma atitude e espera uma reação do receptor,reação essa que, o emissor seja capaz de tê-la também.Para que o receptor seja capaz de compreender toda essa intencionalidade do emissor, ou tenha algo parecido com a reaçãoesperada, é necessário que este receptor esteja a par dos códigosusados na tentativa de comunicação. Isso, a depender do caso, podefazer com que as reações a um determinado estímulo possam variar.Um bom exemplo a tomarmos é o da música, uma sinfonia, para ser maisespecifico. A reação que ela irá causar no ouvinte dependerá deinúmeras variáveis. Uma delas é o conhecimento musical que ele tem, seapresentarmos a 9º sinfonia do Beethoven, ou a 40º do Mozart, ou aindaa 1º do Tchaikovsky para alguém que tenha uma boa noção de música,certamente ele ficará impressionado e gostará muito.

Já se a pessoaque ouvir, não tiver noção de música, não tiver um ouvido acostumado àmúsica clássica ou simplesmente for pouco sensível à música, muitoprovavelmente ele terá um sentimento de aversão, mesmo diante daquelasmúsicas que são consideradas as mais perfeitas que já existiram.A estruturação da realidade é outro ponto levantado por Fearing. Otexto faz uma análise a partir das relações sociais vinculadas aopsicológico, visto que para explicar as dinâmicas do relacionamento sefaz necessário também o comportamento individual.O texto explica que os indivíduos de uma sociedade estão eternamentebuscando alcançar "metas", para isso eles traçam um caminho eestruturam suas ações visando realizar seus desejos.

Quando o indivíduo percebe que algumas forças estão ao seu favor e outrascontra, e na maioria das vezes essas forças vêm da relação entre ele eos demais indivíduos da sociedade na qual se relaciona diretamente ounão, ele começa a realizar o que o autor chama de "estruturacognitiva".Outra idéia exposta no texto trata do fato das pessoas reduzirem atensão, e o que seria a tensão? A tensão seria a pressão ou aperturbação causada antes do indivíduo alcançar suas metas. Nestemomento, acontece um fenômeno que consistiria na idéia de que uma novatensão surgirá exatamente quando acabar outra, ou seja, ao alcançaruma meta, surge uma nova.Os seres humanos são altamente complexos tanto na estrutura físicacomo na psicológica, imagine a infindável possibilidade de suposiçõesque podemos fazer de uma pessoa, isto acontece a todo o momento.

Para exemplificar podemos citar uma situação em que o candidato a empregoestá diante de uma entrevista com seu empregador, a cada resposta dadaé quase claro que ele analisou a personalidade do empregador e tentoumoldar sua resposta as supostas expectativas.

Existem situações cotidianas que certamente não fazemos uso dessaintenção em tudo que dizemos, mas o autor deixa claro que isso podeocorrer de forma inconsciente.De acordo com Franklin Fearing a distinção entre as percepçõesfisionômica e técnico-geométrica está na relação das pessoas com osobjetos (símbolos) que as cercam. Na primeira, não há separação entreobjeto e pessoa. A exteriorização do significado do objeto parte dointerior de quem vê, ou seja, depende da “atitude motora e afetiva dosujeito”. O significado de uma obra de arte, por exemplo, segundo apercepção fisionômica, está ligada ao repertório cultural de cadaindivíduo e não na obra em si.Já na segunda, como o nome já diz, a apreensão do significado doobjeto acontece de forma técnica. A pessoa se coloca como umobservador neutro, que avalia o objeto independente de suas crenças evalores, ou seja, são levados em consideração aspectos gerais e nãocaracterísticas destacadas pelo sentimento de quem vê.Aspectos presentes neste texto, como os campos estímuloscomportamentais e geográficos puderam ser observados em discussões nasala.

Tanto em “A conveniência”, quanto em “O arco e o Cesto” há umarelação entre esses aspectos.Em “A conveniência”, Pierre Castle fala sobre a necessidade que a serhumano tem de adotar comportamentos “aceitáveis” para que possacompartilhar de forma harmoniosa o espaço geográfico do bairro com osoutros moradores.“O Arco e o Cesto”, o autor mostra costumes e regras de organização datribo Guayaki. As tarefas da comunidade são divididas entre homens emulheres. Eles, os portadores dos arcos, têm o dever de caçar e provero alimento para a família. Elas, proprietárias dos cestos, sãoresponsáveis pelas tarefas domésticas.Os dois textos mostram a necessidade de estabelecer regras(comportamentos) para que os espaços geográficos, no caso o bairro e atribo, sejam desfrutados pelos habitantes de forma harmônica.

Allan Morais, Adriano Diniz, Evelin Queiroz, Thiago Gonçalves e Will Carvalho

Comunicação: estímulo e percepção.

O texto “A comunicação Humana”, de Franklin Fearing, retrata as relações humanas. Segundo o autor, “a comunicação sempre visa produzir um resultado”, que pode ser uma reação, estímulo ou as relações sociais. Um dos fatores seria o estímulo, que são produzidos pelos seres humanos e servem para estabelecer um relacionamento específico, entre o emissor e o receptor, que trata-se de uma relação bidirecional, onde os envolvidos dividem suas experiências. São os símbolos e signos as formas da comunicação, ou seja, produtor de estímulo, cuja reação pode ter uma variedade enorme de reações, deve-se levar em conta também quem seria o receptor, sua personalidade, valores culturais e que leitura da situação ele detém.
Todas as relações entre os seres humanos estão impregnados de conceitos, valores e sentimentos, os quais estão sempre relacionados ou avaliados por experiências anteriores e da mesma forma são estratégias simbólicas. Ao agir dessa forma, diz-se que o indivíduo estrutura cognitivamente a situação e para isso poder viver. Isso é representado através de fatores internos e externos; e são pré-requisitos para a formação de conceitos e ordenação das informações que o levam à ação. Essa, é a dinâmica de comportamento, estabelecendo-se diversas relações com o meio e consigo próprio. E, então, há uma constante relação entre a realidade em que se vive e, a necessidade dos outros.
Segundo Werner, existem as percepções fisionômicas, que são as formas como cada indivíduo vê o mundo, a natureza, os lugares, as pessoas e está diretamente ligado a sua própria forma interna de vida. Há uma fusão dos sentimentos com a leitura do mundo a partir de cada indivíduo. Em contra partida, a percepção técnica-geométrica separa claramente o percebedor e do percebido. Num olhar neutro observará apenas a geografia das coisas de forma que enfoque, apenas, a realidade.
Fazendo uma breve comparação com os textos discutidos em sala, percebemos que o texto “O Arco e o cesto” retrata que a nossa vida na sociedade é formada por uma convenção, ou seja, o ser humano nasce e não tem noção dos conceitos pré-estabelecidos, mas aprendi com o tempo, a criação e,principalmente, com o meio. Já no texto, “A conveniência”, ele toma como exemplo a vivência no bairro pra retratar que nós vivemos nos adaptando aos meios, aos locais, com os outros. Moldam-se às situações, uniformizam condutas e relacionamentos, isso acontece, porque precisamos estabelecer boas relações com as pessoas que nos cercam. Dois campos de estímulo que devem ser ressaltados são: o comportamental, que é campo visto pelo indivíduo em particular, o subjetivo e o geográfico é o espaço físico e tem sua configuração como ruas, avenidas e cada indivíduo tem sua interpretação do meio que vive. Para Franklin, “as técnicas de comunicação têm um papel predominante nesse processo, pois exigem serem compartilhadas no mínimo a um certo grau.” Esse é o fator primordial pra a comunicação humana.

Por: Carilene Xisto, Giorgia Kelsen, Illa Grazianne e Laiza Campos

SINAIS

Toda a história do homem sobre a terra constitui permanente esforço de comunicação. Desde o momento em que os homens passaram a viver em sociedade, seja pela reunião de famílias, seja pela comunidade de trabalho, a comunicação tornou-se imperativa. Isto porque somente através dela os homens conseguem trocar idéias e experiências.
A comunicação é caracterizada pela disposição de um conjunto de objetos e signos Por mais naturais que os processos comunicativos sejam, eles não ocorrem de maneira automática. Segundo Franklin Fearing em seu texto A comunicação humana, as situações de comunicação “dependem da totalidade de fatores culturais e de personalidade que cada pessoa leva para a situação”.

A comunicação geralmente ocorre por meio de estímulos, e esses são produzidos visando um determinado fim. Para que esse fim seja alcançado, o indivíduo produtor do estímulo deve estabelecer uma relação com aqueles que irão recebê-lo.

Além disso, é importante considerar que esses estímulos são símbolos e devem ser codificados. Dessa forma, a segunda questão necessária à prática da comunicação é o fator cultural, uma vez que os estímulos podem provocar as mais diversas reações, dependendo da realidade de cada indivíduo.

O terceiro fator determinante para a prática da comunicação é o surgimento de uma “relação” entre as duas partes envolvidas no processo, o indivíduo que produz e o que recebe o estímulo. A comunicação só se concretiza se o receptor for capaz de responder ao estímulo produzido.

A capacidade do animal homem em aprimorar, detectar e perceber quais os pontos favoráveis e desfavoráveis, o faz estruturar cognitivamente as situações. Dentro dessas lutas e busca de conquistas das metas, entram os valores, as crenças, a força da física, os órgãos dos sentidos e tudo é muito complexo, mas se consegue estruturar essas circunstâncias e trazê-las para a construção do todo ao final do resultado que tanto se buscou.

A Percepção fisionômica é o modo de cognição em que o mundo exterior é diretamente apreendido como manifestando a sua própria forma interna de vida. A percepção do mundo exterior se relaciona com as impressões que o individuo já tem dentro de si.

É um processo que não se dissocia na percepção de algum ato, sensação e etc., ou seja, o eu e o não – eu, o ser e o não ser se fundem e não se pode distinguir o “percebedor” do percebido. isso acaba influindo no resultado da experimentação do eu interior com os fatores externos que são absorvidos. Esse tipo de percepção afetiva do sujeito é mais característico de crianças e de pessoas que segundo o autor são chamadas culturas primitivas.
A outro tipo de percepção é o técnico-geométrica que permite separar “percebedor” do percebido. É o modo da ciência objetiva. Baseia-se no pressuposto de que um individuo, pode descrever qualquer experiência externa de forma neutra, capaz de excluir os seus próprios sentimentos, atitudes e crenças da sua percepção.
É o modo mais sancionado na sociedade já o modo fisionômico é sistematicamente desencorajado, apesar de se essencial para a criatividade para se perceber o que se passa abaixo do que está exposto em situações corriqueiras encontradas em diversos meios e ambientes.
Determinados locais exigem comportamentos condicionados, isso pode parecer óbvio, afinal em repartições públicas ninguém vai entrar de chinelo e bermuda e pedindo um aperitivo, mas essa regra corriqueira está mais entranhada na vida cotidiana do que nos percebemos conscientemente.

Pois ocorre naturalmente, institivamente, por uma comunicação clara e objetiva, manifesta pela língua pela presenças e disposição dos objetos, e por outra linguagem mais universal e implícita, a dos olhares das roupas da hierarquia transmitida pela localização das pessoas, pelo tom da voz e pela conformação percebida, ou seja, pela observação, ao verificarmos o modo de agir de cada um.

O ambiente geográfico nos conduz a agirmos da mesma forma nos homogeneíza impedindo manifestações espontâneas, o que Franklin Fearing chama estrutura. Cada um de nós e dotado de uma estrutura, vontades,crenças e desejos. O ambiente busca anular esses vários universo e criar um universo apenas para possibilitar a nossa relação.

Existe somente um universo no qual vive o individuo, preso às suas necessidades, tendo relações com outras pessoas, o universo em que o homem ama e morre”. (Franklin Fearing)

Como se o ambiente geográfico estabelecesse uma lei implícita e poderosa baseada no comportamento no modo de falar de vestir de agir, que muitas vezes exprime diferenças conceituais e de origem entre os indivíduos, chegando até mesmo a manifestar a hierarquia entre os indivíduos.

“O universo criado pelas atividades humanas não é somente um mundo de coisas; é um universo de intenções e significações”. (Franklin Fearing)

Esse choque entre meio ambiente e estrutura está explicito nos textos de Pierre Castle, O Arco e o Cesto e Conveniência, onde a relação das pessoas com o meio e consigo passam por, como diz Franklin, “objetos de estimulo”. Em conveniência Castle descreve um bairro, onde os novos moradores rapidamente se adaptam ao “ritmo” do local definido pelas construções, praças, ou seja, pela forma como as pessoas usam e se adequam a estes locais.

“As estruturações decorrentes são reais, pois tem influências reais ou objetivas sobre o comportamento”. (Franklin Fearing)

Na sociedade indígena Guayaki, essa estruturações já estão fixadas com os seus respectivos objetos símbolos, a o arco e o cesto, representam a divisão da comunidade em dois mundos o masculino e o feminino, todas as atividades se baseiam nessa relação, os homens caçadores as mulheres coletoras.

Um não pode tocar no objeto do outro. Se a mulher tocar no arco de o homem trará sobre ele o pane, um tipo de azar que irá torna-ló incapaz de caçar, o que é um risco teria para uma tribo que não domina a agricultura, se um homem tocar o cesto de uma mulher atrairá o pane sobre si.

Se o homem perder a habilidade na caça perde a condição de “homem” e se torna na prática um mulher, e a atitude primeira a se tomar é retirar o seu arco e entregar um cesto. Isso não é difícil de perceber no atual estágio da nossa civilização.

Alguns objetos se tornam característicos de um grupo social, de uma faixa etária, até mesmo um corte de cabelo como no caso do Emos, alguns chinelos e roupas característicos de pessoas consideradas rippies, é claro que em muitas situações os objetos não manifestam as “reais” crenças dessas pessoas, porem por mais paradoxal que seja isso faz parte da nossa realidade.

As outras pessoas reagem de determinadas formas dependo de como cada um se veste e onde se encontra, as pessoas reagem sobre si mesmas se controlam a partir de sinais de poder e ordem encontrados num repartição da justiça de desenvoltura na casa de um amigo, mesmo as falsas impressões moldam o nosso comportamento e isso tem um efeito, dificilmente mensurável, mas efetivo sobre a nossa vida cotidiana.

Por
Daniele Valois
Eudes Sampaio
João Barbosa
Ramon Nascimento
Wellington Júnior

A percepção

A comunicação humana é algo inerente ao ser humano. todos os dias, nos deparamos com uma gama de situações de comunicação, seja através de um bom dia dado a um conhecido, no manusear de objetos ou ao freqüentar lugares. Essa socialização está diretamente ligada a sentimentos compartilhados ou provocados.
Franklin Fearing afirma no texto A Comunicação humana que os seres humanos produzem estímulos com o objetivo de moldar ou dirigir o comportamento numa direção específica. Essa comunicação se dá através de meios que consequentemente permitirão ao emissor alcançar certos fins, para isso, é necessário que haja no receptor um interesse na mensagem que está sendo dita, ela deve despertar sensações e reações.
Condições físicas, problemas, subjetividade são alguns dos elementos que auxiliam na mediação desses estímulos, além de fatores culturais e de personalidade que não devem ser ignorados. Desse modo as situações de comunicação agem diretamente nas relações humanas que por sua vez está permeada de realidade. Há uma meta a ser alcançada em cada momento de interação, e para alcançá-las será preciso superar tensões, uma vez que cada ser humano traz consigo uma bagagem cultural.
A percepção que temos do mundo exterior a nós tem sua própria organização. Escola, família, trabalho, sinalização, filas, documentos, tudo está no seu devido lugar. Segundo Fearing, alguns psicólogos classificam a percepção como sendo fisionômica e outros a definem como técnico-geométrico. A primeira é um modo de cognição em que o mundo exterior é diretamente apreendido como manifestando a sua própria forma interna da vida. A distinção entre o percebedor e o percebido se perde. A segunda está baseada no pressuposto de que o universo externo pode ser descrito por um observador neutro, capaz de excluir os seus próprios sentimentos, atitudes e crenças da sua percepção.
No mundo atual, a percepção técnica-geométrica é legitimada, apesar de utilizarmos à metáfora no comportamento lingüístico. As crianças e algumas sociedades primitivas podem ser as únicas que ainda vêem o mundo de forma fisionômica. Talvez até as crianças não pensem mais assim.
De modo geral a vida em sociedade nos leva a ter relações com pessoas, espaços, objetos atuando como campos de estímulos geográficos, comportamentais, psicológicos que influenciarão nossas formas de pensar e também serão modificados por nós, esses elementos, são fundamentais na manutenção do espaço social, na reprodução de regras, comportamentos, mitos e histórias.


Joyce Guirra

A Produção Comunicativa

Como diz Franklin Fearing no texto A comunicação humana, a atividade e a vida humana seriam impossíveis sem a comunicação. Sem ela, não existiria sociedade ou cultura, nenhum progresso seria alcançado, nem seria criada a arte, mapeados os céus, explorados os átomos, nem as pessoas sentiriam prazer, raiva ou enaltecimento, e a sabedoria ou a loucura humana não poderiam ser compartilhadas ou preservadas.
Mas, para que ocorra a comunicação, esta necessita de alguns estímulos e estes, são produzidos com o objetivo de moldar ou dirigir o comportamento numa direção específica. Na comunicação, o produtor do estímulo, sempre formula certas suposições a respeito das capacidades e das potencialidades da outra pessoa. Estes estímulos produzidos não são automáticos e mecânicos, mas sim dependem da totalidade de fatores culturais e de personalidade que cada pessoa leva para a situação.
A comunicação é um sistema de transmissão, e analisando por este víeis, este processo consiste na simples passagem de ideias, informação e que é recebida intata ou afetada por alguma interferência causadora de distorção. Ao recebê-la, o indivíduo dotado de uma parcela de subjetividade a interpreta e tenta adaptá-la de acordo com as suas referências e experiências vividas, atribuindo-as, valores e significados.
Ainda de acordo com o autor, a estruturação e esta adaptação da realidade são dinâmicas de comportamentos que utilizam estratégias simbólicas onde o indivíduo estrutura cognitivamente a situação. Essa estrutura chamada de necessidade de significação constitui na realidade a necessidade de estabelecer uma maneira mais estável de interpretação. Assim, na medida em que vivemos, idealizamos o nosso meio, criando um mundo de forma a satisfazer as nossas necessidades como pessoas e amadurecemos o nosso caráter.
O autor, ainda no texto A comunicação humana, na tentativa de elucidar ainda mais este tema, faz uso de expressões como percepções fisionômica e técnico geométrico. De acordo com Fearing, a percepção fisionômica é distinta da técnico-geométrica na medida em que é um modo de cognição em que o mundo exterior é apreendido manifesta a sua própria forma interna de vida. Há uma dinamização das coisas, na medida em que os objetos são entendidos predominantemente por meio da atitude motora e afetiva do sujeito. Já a percepção técnico-geométrico, separa o percebedor do percebido e está baseado no pressuposto de que o universo externo pode ser descrito por um observador neutro, capaz de excluir os seus próprios sentimentos, atitudes e crenças de sua percepção.
A conveniência, por exemplo, traz à tona comportamentos e signos que o indivíduo desenvolve para que haja a interação em grupo, logo, o misto de crenças e percepções é aguçado. Assim como em o “Arco e o Cesto”, “A Conveniência” trata das relações estabelecidas num determinado âmbito social e como estes códigos interferem – como as construções sociais físicas e psíquicas nos comunicam – no desenvolvimento social, uma vez que a convivência coletiva requer mecanismos comunicacionais para a demarcação dos territórios simbólicos de cada indivíduo.

Por
Abgaela Martins
Carinina Dourado
Daianne Maiara
Ricardo Alves
Wllyssys Wolfgang

Comportamentos...

Segundo Franklin Fearing, as reações enquanto respostas a estímulos dependem da totalidade de fatores culturais e de personalidade que cada pessoa leva para a situação, ou seja, a bagagem cultural e simbólica de cada indivíduo é que determinará a maneira com que responderá aos estímulos expostos pela comunicação. Serão os conteúdos adquiridos pelos sujeitos anteriormente que farão com que não haja apenas uma transmissão de idéias de forma pragmática. A partir de valores próprios o indivíduo é capaz de produzir um julgamento crítico das concepções formuladas pelo comunicador. O indivíduo dotado de capacidades múltiplas, para alcançar, os que o autor designa metas, utiliza todo o seu conteúdo simbólico cognitivo para superar todas as dificuldades que se apresentarem para a conquista do seu objetivo. Durante esse processo estará dando início à estruturação da sua realidade que se apresenta como meio para a criação do seu “universo”, que lhe permitirá “ver a situação de uma perspectiva especial”.
Para o sujeito, a fase de estruturação pode ser algo automático pensado instantaneamente para a resolução de coisas simples ou mais complexas.
Segundo Franklin Fearing, as transações perceptivo-cognitivas desse indivíduo com o mundo exterior, o universo das coisas, não são simples. O autor destaca os estudos de Werner, porque esse distingue entre a percepção “técnico-geométrica” e a “fisionômica”. A fisionômica é distinta da técnico-geométrica na medida em que é um modo de cognição em que o mundo exterior é diretamente apreendido como manifestando a sua própria forma interna de vida, é quando a distinção entre percebedor e percebido não podem ser notadas, se confundem. No outro extremo desse continuo perceptivo está o modo técnico geométrico, que separa nitidamente o percebedor do percebido, é mais objetivo e defende o pressuposto que o universo externo pode ser descrito por um observador neutro, isento de motivos pessoais, imparcial. É o modo mais sancionado na sociedade atual, minimizando a capacidade fisionômica de relação com o universo.
Seja na rua ou no bairro, na aldeia ou na tribo, no universo real ou imaginário, a relação entre os homens tem os campos de estímulos comportamental e geográfico em sua configuração. Para o primeiro termos como: “sentido”, “crenças”, “valores” esclarecem seu significado e remetem ao estudo dos comportamentos mostrados por Pierre Clastres em “O arco e o cesto” e por Piere Mayol em “Conveniência”. Compreendendo o ambiente geográfico como estável e “real”, há de se entender também que ele permite uma variedade de meios comportamentais e é de suma importância respeitar e conhecer mais sobre esses ambientes diversos. Sempre suscetíveis a discrepâncias, diferenças e tensões, os ambientes podem ser reestruturados cognitivamente reduzindo ou anulando qualquer problema social (seja ele uma desavença com um vizinho ou uma grande guerra entre países).
Convenientemente ou não, as técnicas de comunicação têm um papel predominante nesse processo, pois exigem serem compartilhados no mínimo a certo grau. Produzem-se assim universos compartilhados para a “satisfação geral”.


Por Isabela Sales e Thirza Santos.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Linguagem

Linguagem



A “distância” que a linguagem pode assumir do acontecimento ao qual se refere e pretende transmitir é um ponto central nos textos de Franklin Fearing, Comunicação Humana, e de Pierre Castle, O Arco e o Cesto. Essa alteração é determinada por necessidades intimas ou valores, crenças e ideologias que tem que ser preservados e fortalecidos para manter o status e o auto-conceito.

Aspectos centrais das culturas humanas modernas e primitivas manifestam esse fato perene, em outras palavras doamos boa parte de nossa energia, tempo e raciocínio para suster a nossa estrutura. Entre o que desejamos e o que existe, entre o ambiente externo e o interno.

Na tribo Guayaki, os homens caçam porém não podem comer a própria caça pois ela pode trazer o pane, um tipo de azar, ele ficara incapacitado para a caça, a tribo é nômade, não domina a agricultura sendo os animais abatidos sua principal fonte de alimento.

Os homens dependem da caça abatida por seus companheiros para alimentar-se. Outra questão é que, devido ao pouco numero de mulheres, os homens precisam dividir suas esposas, ou seja cada mulher possui dois maridos. As mulheres ao mediar a relação entre os dois esposos obtém muitos privilégios.

No entanto para ficarem contente os homens, no seu canto noturno, entoam para si mesmo ao longo de varias horas: “ Eu sou um grande caçador, eu mato muito com minhas flechas, eu sou uma natureza forte”. A razão seria que, “Prisioneiros de uma troca que os determinas apenas como elementos de um sistema, os Guayaki aspiram a se libertar de suas exigências, mas sem poderem recusá-lo no próprio plano em que o realizam e o sofrem. Como, a partir de então, separar os termos sem quebrar as relações? Só se oferecia o recurso à linguagem.” Segundo Pierre Castle.

Temos assim a capacidade de representar a realidade e de ao mesmo tempo de nos separarmos dela pela linguagem, não me refiro as questões como verdade ou mentira, mas a premente característica humana de querer se sobrepor aos acontecimentos ao seu meio social. Dando a linguagem um fim em si mesmo. Não há relação com o outro mas consigo não o mundo social mas o individual.

Essa atividade é resultado da necessidade de atender as nossas necessidades e desejos, chegamos a perder a noção dos vários universos que compõem nossa sociedade.“O eu e o não-eu se confundem”. Isso é característico das crianças e das culturas primitivas.

Onde se nota que os índios relembrem e enaltecem as suas conquistas e de certa forma omitem suas limitações impostas pela sociedade Guayaki, pois afinal o marido principal, o imete, não pode negar a esposa e a sociedade a absorção do excedente masculino por sua mulher no caso o jepetyva, o marido secundário, que na prática possui os mesmo direitos que o principal. Dessa forma “ O “mundo exterior” é percebido em termos da perspectiva do sujeito”.

As sociedades modernas não estão livres da estruturação estas se refletem nos jornais, nos sinais de transito, nos rituais religiosos, mapas... que tem a mesma característica, segundo Franklin, a de terem indivíduos empenhados em “dominar” o seu meio pela utilização de uma serie de técnicas, principalmente “a sutil organização dos recurso simbólicos do homem”.

Livros, jornais, escola, Universidades... sistemas de conformação de entendimento sobre como agir e proceder no mundo, que no fim visam diminuir a incidência de comportamentos imprevistos, espontâneos e por isso desagradáveis de moldar a conduta de acordo com rituais determinados de situar cada um dentro de um limite, estabelecido. È clara que para ser eficiente, isso não está explicito na linguagem, está subtendido ou mesmo inexistente.

Só para ficarmos no que é mais evidente: os empresários são os promotores do bem-estar e do emprego, os políticos são os únicos que podem alterar a nossa desigual sociedade, e isto é repetido ao longo de vários anos. A discursos discordantes, os empresários e os políticos são corruptos e exploradores, a resposta seria anarquia ou um regime verdadeiramente democrático, a divisão das terras.

Sendo um ou outro a linguagem não parte do cotidiano ou da ação, ela está carregada pela vontade pela crença, que pode ser tornar real sim não negamos isto. Mas também pode ser utilizada para manter as coisas para nos distanciar da realidade, como um fim em si mesmo sem qualquer utilidade prática. Tendo inicio no que Franklin chama de defecção perceptiva e ressonância perceptiva, ou seja, não percebemos ou esquecemos aquilo que não está em nossa estrutura e ressaltamos o que a corrobora. Esse cerco sobre si mesmo é o obstáculo.


Por
Ramon Pimentel.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Lembranças Inesuecíveis de Nossa Infância

Olha ai... vale a pena ver... metade de nossa infância tah ai!

http://www.youtube.com/watch?v=WBJvtaRiCmc

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A Comunicação Humana

O texto: A Comunicação Humana, Franklin Fearing, traz uma situação caracterizada pela disposição de um conjunto de objetos, signos e outras presenças vivas, funcionando como estímulo que suscita comportamentos tão distintos quanto as significações a que possamos associá-la. A própria noção de situação, aliás, designa, em um certo momento, um dado padrão de forças dotado de um significado abrangente que se traduz, em padrões de comportamento dotados de uma estabilidade relativa.
Por
Daiane

O Arco e o Cesto

O capítulo O Arco e o Cesto do livro “A Sociedade contra o Estado” do antropólogo francês Pierre Clastres, relata sobre uma comunidade indígena nômade chamada Guayaki que vive na fronteira noroeste do Brasil. O texto descreve os objetos e suas funções, os contextos e seus significados.
Segundo o texto nessa sociedade, a sobrevivência de um membro estará comprometida se abater-lhe a “Pané”, espécie de maldição. O capítulo “O arco e o cesto” desse livro tem o nome dos mais importantes objetos ou símbolos da tribo, que interfere nas existências e define os papéis dos caçadores ou coletores, respectivamente para homens e mulheres.
Uma das regras era que cada um cuida de sua área de competência, não sendo admitido interferências externas. Porém, se um homem toca um cesto, se sente amaldiçoado perdendo o status de caçador, uma vez que a caça é a principal fonte de nutrientes tendo na coleta um complemento.
Dentre os vários pontos interpretados pelo autor, um chama a atenção que é a relação do caçador com a caça. O melhor caçador não é o que mais acumula, mas o de mais habilidade, já que sobrevive da caça do outro, ou seja, cada um caça para a tribo e não pode comer de sua própria captura. Se assim o fizer, será amaldiçoado pela “pané”, o que é uma vergonha, uma desonra,uma mudança de sexo para a comunidade.

Por
Daiane

A Conveniência

A conveniência traz o olhar de Pierre Mayol para a necessidade de convivência de um bairro parisiense, que pode ser comparado a qualquer lugar do mundo. Tal necessidade "leva o usuário a se manter como que 'na defesa', no interior de códigos sociais precisos, todos centrados em torno do fato do reconhecimento, nesta espécie de coletividade".
No texto utiliza a noção de conveniência para definir esta necessidade de reconhecimento social que se estabelece na prática do lugar como uma convenção tácita, não escrita, mas legível por todos os usuários através dos códigos de linguagem e do comportamento. A vivência nesta coletividade, buscando o reconhecimento social, adere ao seu sistema de valores e desempenha comportamentos para cumprir o papel social que foi designado pelo grupo.
A conveniência pode ser comparada a "um gerenciamento simbólico da face pública de cada um de nós desde que nos achamos na rua" . Ela engendra de forma simultânea a maneira com que se é percebido pelos outros e um meio de se obrigar à submissão pela regulação interna que se desenvolve no sujeito, ditando comportamentos adquiridos com a sociedade. Assim os usuários obedecem às regras sem necessariamente dar-se conta disso, pois o padrão está internalizado.
Por
Daiane

quarta-feira, 13 de maio de 2009

COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO: FRONTEIRAS COMUNS NECESSÁRIAS

Josemar da Silva Martins (Pinzoh)
Doutor em Educação pela FACED/UFBA
Professor do DCH III/UNEB
(Texto apresentado na mesa de abertura do Encontro Regional de Estudantes de Comunicação Social – ERECOM 2008, realizado de 30/04 a 04/05/2008, no Departamento de Ciências Humanas III – DCH III/UNEB, Juazeiro-BA)
1. FRONTEIRA COMUM ENTRE EDUCAÇÃO E COMUNICAÇÃO

A relação entre educação e comunicação pode ser pensada, inicialmente, fora dos seus espaços formais, antes de se tornarem campos de práticas específicas que, é importante que se diga, não existem assim demarcados desde sempre.

Um campo, para Pierre Bourdieu, é uma configuração de relações socialmente distribuídas, ou seja, distribuição das diversas formas de capital simbólico ou técnico, que munem agentes específicos em cada com as capacidades adequadas ao desempenho de funções e práticas específicas e relativas às lutas que atravessam e constituem um determinado espaço social. As relações existentes no interior de cada campo definem-se objetivamente, independentemente da consciência individual. Na estruturação objetiva do campo haverá sempre o estabelecimento de hierarquias de posições e funções, tradições, instituições e histórias particulares, em relação às quais os indivíduos são convocados a adquirir um corpo específico de disposições e de competências, que lhes permite agir de acordo com as possibilidades existentes no interior dessa estrutura objetiva; ou seja, aí se produz o habitus de campo, que funciona como uma força conservadora no interior da ordem social do campo específico.

Em suma, o campo, em Bourdieu, é um espaço social onde os objetos sociais compartilhados são disputados por agentes investidos de saber específico, de títulos, de privilégios, de esforços, que permitem acesso aos vários lugares em seu interior, bem como aos diferentes jogos de conflito em seu exterior. Não apenas isto, mas os campos ganham autonomia quanto mais reúnem capacidade para traduzir em linguagem própria, em gramática especializada, os diversos problemas relativos à sociedade e, portanto, são também constitutivos desta. Assim, no interior de cada campo, há seus respectivos sub-campos, onde as disposições e competências são mais uma vez apartadas em práticas ainda mais específicas, com suas áreas de saber e de práticas correlativas. Podemos dizer, portanto, que há não apenas o campo a educação e o campo da comunicação, estruturados distintamente, como também que há sub-campos (ou campos menores) em cada um deles, como é o caso do “jornalismo” no campo da comunicação, ou da “pedagogia” no campo da educação.

No entanto, eu ia dizendo, antes desta constituição como “campos de práticas” específicos, institucionalizados, ritualizados, hierarquizados, com tradições e histórias particulares, a educação e a comunicação pertencem à mesma fronteira da constituição dos sujeitos humanos. Primeiramente porque há sempre uma zona cega onde tanto a educação quanto a comunicação escapam às suas determinações específicas de campo, para constituírem a fronteira onde ocorrem, de forma não sistemática, as diversas maquinarias e processos de produção dos sujeitos. Brandão nos diz que,
Ninguém escapa à educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: para aprender, para ensinar, para aprender-e-ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver (BRANDÃO, 2002, 7).

Da mesma forma Michel de Certeau, Luce Giard, e Pierre Mayol, ao discutirem os modos que adotamos para morar, para habitar um bairro, quando lançamos mão do que eles chamam de conveniência (MAYOL, 1996), confirmam não apenas que a educação diz respeito, de forma bastante ampla, aos processos de subjetivação, como também que, em grande parte, o aprendizado (que é uma coisa de educação) implica a partilha de signos, de mensagens, de códigos ora mais variados, ora mais específicos, o que é já uma coisa de comunicação. Não apenas isto, mas se levarmos em conta a discussão de Suely Rolnik sobre o modo como atualmente a mídia produz o que ela chama de “toxicômanos de identidade”, reforçamos a idéia de que os processos de subjetivação estão hoje amplamente permeados pela comunicação, em particular pelo que conhecemos como “meios de comunicação de massa”. Portanto, para além dos campos formais, nos tornamos homens e mulheres no seio da cultura, integrando comuicação e educação. Nos tornamos sujeitos através de processos que ao mesmo tempo comunicam e educam (ou: educam comunicando; comunicam educando), porque tais processos atravessam nossas experiências cotidianas e nos impõem esforços de interiorização e de exteriorização de saberes e práticas implicam a partilha, que tornam “tornam comum”, que “põem em contato e em relação”, que ligam, unem, transmitem, põem em participação, difundem (FEARING, 1971). Eis o jogo da vida.
2. A DISTINÇÃO E A DISTÂNCIA DE CAMPO

No entanto, educação e comunicação foram separadas como campo de práticas distintas, que formulam distintamente visões de mundo, e organizam práticas específicas na produção do mundo. Esta distinção operou, aos poucos, um profundo distanciamento entre ambos os campos. Por um lado, da educação se exige que ela não seja liberal, pois ela precisa apresentar resultados que devem ser vistos, medidos, objetivados, avaliados, etc. Diz-se, por exemplo, desde o final do século XIX, que os problemas do Brasil se resolverão com educação. Os veículos de informação, os políticos, os empresários, os intelectuais, todos dizem por uma boca só, quanto mais aumentem os problemas de nossa sociedade excludente, que tais problemas seriam resolvidos com educação. Exige-se que a educação dê respostas objetivas, convincentes, no aperfeiçoamento da sociedade.

Ao contrário, o discurso vigente há muito tempo sobre comunicação, não se dispõe a lhe cobrar responsabilidades. Para esta, o que é reivindicado é a manutenção de sua feição de prática liberal. Tome-se como exemplo a propaganda recente da ABP, contra a restrição da propaganda de bebida alcoólica. Portanto, se exige que a educação finalize produtos socialmente requisitados, quando da comunicação, convertida basicamente em agências de notícia e publicidade, se espera, ao contrário, que ela apenas continue “livre”. Sequer se reconhecem que a esta liberdade da comunicação não se estende a todos os seus praticantes, tendo em vista seu histórico atrelamento aos poderes hegemônicos, aqueles mesmos que são também os promotores da manutenção das disparidades sociais, cujo interesse é majoritariamente o negócio e o lucro. É isto o que tem se configurado: a educação vincula-se à imagem de algo que precisa de um fechamento, de uma finalização, de uma concisão, de um acabamento, de uma moral. A comunicação, ao contrário, vincula-se à imagem de algo que está sempre em vias de abertura, para expandir-se livremente, sem que seja responsabilizada pelos resultados que produz, atentando apenas para sua ética corporativa, ou seja, para seus códigos deontológicos específicos e internos.

Neste sentido, enquanto a educação vincula-se a um stase, uma espécie de fechamento, de objetivação, a comunicação desfruta da abertura em forma de uma espécie de ex-stase. Se, por um lado, há objetivos e metas que são exigidas da educação, por outro lado, não ousamos exigir o mesmo da comunicação. Curiosamente a comunicação se esconde por trás de premissas que a educação já abandonou em termos da justificação de suas práticas, como é o caso do princípio de neutralidade. Enquanto na educação há bastante tempo já abandonamos a premissa de que educação é um ato neutro, em comunicação ainda se repete nos cursos de formação de novos comunicadores que estes têm que zela pela neutralidade e pela imparcialidade, como se isso fosse uma verdade. É sustentando-se nessa premissa que a comunicação reivindica sua liberdade de ação, uma liberdade que, como pode ser facilmente demonstrável com exemplos muito próximos de nós, reduz-se á liberdade doa magnatas da informação. Uma rápida leitura de obras como “Sobre a Televisão”, de Bourdieu (BOURDIEU, 1997), nos torna aptos a perceber os muitos mecanismos dos quais a comunicação se utiliza para “filtrar” a notícia e, assim, produzir, um resultado nada imparcial ou neutro. Seria mais honesto se a comunicação jogasse fora a sua tão cara premissa de imparcialidade e de neutralidade, para qualificar de um modo diferente sua reivindicação de liberdade.

Exige-se que a educação seja comprometida com muitas coisas, entre as quais, a mudança social. Quer-se, em muitos casos, engajar a educação em projetos de homem e de sociedade. O mesmo não ocorre com a comunicação, exceto com um setor da comunicação que conhecemos como “comunicação alternativa” ou “comunitária”, que, de todo modo, ainda se interessa em engajar a comunicação em algum projeto de transformação social.

3. A EDUCOMUNICAÇÃO

Temos ouvido e lido, recentemente, muito sobre um novo “campo” que nasce na fronteira entre educação e comunicação. Este novo campo, que tem no professor Ismar de Oliveira Soares (SOEARES, 1999; 2001) uma das suas principais vozes, é a Educomunicação. Encaro este novo campo como uma dessas tentativas de superar as dicotomias e de convocar a educação a ser mais comunicativa, e a comunicação a ser mais educativa. Mas, mais do que isto, o novo campo se configura primordialmente como uma forma de engajar a comunicação, uma vez que a Educomunicação constitui-se de um conjunto de teorias e práticas que nascem intersecção das áreas de Educação e Comunicação Social, com o objetivo propor e desenvolver ações de intervenção social.

Ao agregar princípios da educação e da comunicação para desenvolver uma nova forma de pensar e de agir na sociedade moderna, a Educomunicação torna-se, assim, um novo campo de intervenção social. As outras práticas comunicativas e educativas certamente continuarão tendo o seu lugar, porém, neste novo campo, o educomunicador não é apenas um agente livre e criativo, que liga interfaces ou que produz notícias para os grandes conglomerados comunicativos, mas ao contrário, ele parece se configurar como um poderoso elemento de transformações, a rigor vinculado a algum projeto específico com tal teor. Suas armas são seus conhecimentos recolhidos nos estudos da educação e da comunicação, e são colocadas em ação em decorrência dos imperativos de produção de uma nova ordem histórica, social, cultural e econômica.

Diz-se, costumeiramente que a Educomunicação constitui-se de cinco feições, ou cinco âmbitos de ação, que podem estar associadas ou não, quais sejam:
a) A educação para a comunicação (educação para os meios),
b) A mediação tecnológica na educação compreendendo os procedimentos e as reflexões em torno da presença e dos múltiplos usos das tecnologias da informação na educação (educação através dos meios);
c) A expressão comunicativa através das artes que designa todo o esforço de produção cultural, como meio de auto-expressão de pessoas e grupos, e com caráter formativo e estético-expressivo;
d) A gestão comunicativa voltada para o planejamento, a execução e a avaliação de programas e projetos de intervenção social no espaço de inter-relação entre Comunicação e Cultura e Educação;
e) A reflexão epistemológica sobre a inter-relação entre Comunicação e Educação, correspondendo ao conjunto dos estudos sobre a natureza do próprio fenômeno constituído por esta inter-relação.

O que espera, sobretudo considerando este último item, é que parte do engajamento educomunicativo seja direcionado para a ação produtora de novos discursos sobre a própria comunicação e suas relações ontológicas com a educação e com os processos produtores de subjetividade. O que se espera é que saiamos, através dela, do pós-modernismo celebratório, para um pós-modernismo crítico ou de oposição em relação ao viés meramente liberal da comunicação. Que se achem, através dela, novas possibilidades de se operar uma transformação social que de fato diminua as disparidades sociais do mundo contemporâneo.


Bibliografia

BOURDIEU, Pierre. Razões práticas: sobre a teoria da ação. Capinas: Papirus, 1996.

BOURDIEU, Pierre. Sobre a televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação?. – São Paulo: Brasiliense, 2002.
FEARING, Franklin. A comunicação humana. In: COHN, Gabriel. Comunicação e Indústria Cultural. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1971, p. 56 – 82.
MAYOL, Pierre . A conveniência. In : CERTEAU, Michel de; GIARD, Luce & MAYOL, Pierre. A invenção do cotidiano: 2. morar, cozinhar – Petrópolis, RJ: Vozes, 1996.
ROLNIK. Sueli. Toxicômanos de identidade. In: LINS, Daniel (org). Cultura e subjetividade: saberes nômades. Capinas, SP: Papirus, 1997.

SOARES, Ismar de Oliveira. Comunicação/Educação. A emergência de um novo campo e o perfil de seus profissionais. In: Contrato: revista brasileira de comunicação, arte e educação. Ano 1, n. 2, jan. / mar. 1999.

SOARES, Ismar de Oliveira. Caminhos da Educomunicação. São Paulo: Editora Salesiana, 2001.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Fragmentos de "A Conveniência"

Num bairro são estabelecidas relações onde o contato interpessoal se dá através dos encontros aleatórios, como em elevadores, mercados e mercearias. Desenvolve-se uma coletividade em que os contatos são imprevisíveis e anônimos, levando em conta que não há vínculos referenciais, como os familiares e de amizade. Estes encontros fazem com que os indivíduos mantenham-se como que “na defesa”, permitindo-os identificar-se por códigos sociais precisos, baseados num arcabouço de reconhecimento individual e coletivo.


Por meio deste arquétipo de comunidade, Pierre Mayol em seu texto “A Conveniência, traça um paralelo em que se pode abstrair a conceituação de conveniência e o quanto há de comunicação pelos espaços que nos circundam. A exemplo da maneira que nos vestimos e andamos: são comunicadores, que indicam determinada conformidade com o que indivíduo vestido pensa representar. Neste caso, “o corpo é o suporte de todas as mensagens gestuais que articulam essa conformidade: é um quadro negro onde se escrevem – e portanto se fazem legíveis” estes códigos.

Inicialmente, a conveniência se apresenta como repressora, proibindo, representando as leis e “reprimindo o que não convém”. Mas posteriormente mostra-se como mecanismo de “gerenciamento simbólico da face pública de cada um de nós, desde que nos achamos na rua”, longe dos nossos laços referenciais (amigos e família), orientando-nos na forma de nos comportarmos em determinados ambientes ou situações.

Sendo assim, esta prática torna-se rotuladora, haja vista que “o bairro é um palco ‘diurno’ cujos personagens são, a cada instante, identificáveis no papel que a conveniência lhes atribui: uma criança, o pequeno comerciante, a mãe de família, o jovem, o aposentado, o padre, o médico” etc. E cada um destes personagens nada mais é do que o seu papel, sendo relegado a simples – ou complexa – “representação social”, pois de sua natureza, são abstraídos os “ruídos” ou traços individuais que os

Contudo o processo de conveniência não é unilateral, pois dentro destas comunidades, há um sistema de recognição em que o indivíduo sofre alterações, mas influência ao mesmo tempo, retroalimentando os códigos da conveniência.

Por

Wllyssys Wolfgang
Jornalismo em Multimeios - UNEB
A aula de 12 demaio de 2009 foi para discutir três textos: O Arco e o Cesto (Pierre Clastres), A Conveniência (Pierre Mayol) e A Comunicação Humana. Discutimos os dois primeiros. Depois vimos o filme (animação 3D) Vida Maria (Márcio Ramos). Espero escritos, crônicas, crítivas e comentários da turma neste blog.

Pinzoh
Professor

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A IDÉIA É ESSA!

Bem gente, a questão é seguinte: criei um grupo para a turma de Comunicação e Educação II, cujo e-mail é o seguinte: educomum@grupos.com.br. E criei também este blog. Mandarei para o e-mail de cada um/a o login e a senha para vocês poderem postar aqui neste blog. Mas a idéia é que ele seja um espaço que deve ser otimizado por todos/as. Todo mundo deve postar, comentar, incluir imagens, vídeos, audios... construir partilhas a partir daquilo que vier sendo discutido e vivenciado na disciplina. Convoco a todos/as a contribuirem com esta construção coletiva.
Josemar da Silva Martins (Pinzoh)
Professor