Linguagem
A “distância” que a linguagem pode assumir do acontecimento ao qual se refere e pretende transmitir é um ponto central nos textos de Franklin Fearing, Comunicação Humana, e de Pierre Castle, O Arco e o Cesto. Essa alteração é determinada por necessidades intimas ou valores, crenças e ideologias que tem que ser preservados e fortalecidos para manter o status e o auto-conceito.
Aspectos centrais das culturas humanas modernas e primitivas manifestam esse fato perene, em outras palavras doamos boa parte de nossa energia, tempo e raciocínio para suster a nossa estrutura. Entre o que desejamos e o que existe, entre o ambiente externo e o interno.
Na tribo Guayaki, os homens caçam porém não podem comer a própria caça pois ela pode trazer o pane, um tipo de azar, ele ficara incapacitado para a caça, a tribo é nômade, não domina a agricultura sendo os animais abatidos sua principal fonte de alimento.
Os homens dependem da caça abatida por seus companheiros para alimentar-se. Outra questão é que, devido ao pouco numero de mulheres, os homens precisam dividir suas esposas, ou seja cada mulher possui dois maridos. As mulheres ao mediar a relação entre os dois esposos obtém muitos privilégios.
No entanto para ficarem contente os homens, no seu canto noturno, entoam para si mesmo ao longo de varias horas: “ Eu sou um grande caçador, eu mato muito com minhas flechas, eu sou uma natureza forte”. A razão seria que, “Prisioneiros de uma troca que os determinas apenas como elementos de um sistema, os Guayaki aspiram a se libertar de suas exigências, mas sem poderem recusá-lo no próprio plano em que o realizam e o sofrem. Como, a partir de então, separar os termos sem quebrar as relações? Só se oferecia o recurso à linguagem.” Segundo Pierre Castle.
Temos assim a capacidade de representar a realidade e de ao mesmo tempo de nos separarmos dela pela linguagem, não me refiro as questões como verdade ou mentira, mas a premente característica humana de querer se sobrepor aos acontecimentos ao seu meio social. Dando a linguagem um fim em si mesmo. Não há relação com o outro mas consigo não o mundo social mas o individual.
Essa atividade é resultado da necessidade de atender as nossas necessidades e desejos, chegamos a perder a noção dos vários universos que compõem nossa sociedade.“O eu e o não-eu se confundem”. Isso é característico das crianças e das culturas primitivas.
Onde se nota que os índios relembrem e enaltecem as suas conquistas e de certa forma omitem suas limitações impostas pela sociedade Guayaki, pois afinal o marido principal, o imete, não pode negar a esposa e a sociedade a absorção do excedente masculino por sua mulher no caso o jepetyva, o marido secundário, que na prática possui os mesmo direitos que o principal. Dessa forma “ O “mundo exterior” é percebido em termos da perspectiva do sujeito”.
As sociedades modernas não estão livres da estruturação estas se refletem nos jornais, nos sinais de transito, nos rituais religiosos, mapas... que tem a mesma característica, segundo Franklin, a de terem indivíduos empenhados em “dominar” o seu meio pela utilização de uma serie de técnicas, principalmente “a sutil organização dos recurso simbólicos do homem”.
Livros, jornais, escola, Universidades... sistemas de conformação de entendimento sobre como agir e proceder no mundo, que no fim visam diminuir a incidência de comportamentos imprevistos, espontâneos e por isso desagradáveis de moldar a conduta de acordo com rituais determinados de situar cada um dentro de um limite, estabelecido. È clara que para ser eficiente, isso não está explicito na linguagem, está subtendido ou mesmo inexistente.
Só para ficarmos no que é mais evidente: os empresários são os promotores do bem-estar e do emprego, os políticos são os únicos que podem alterar a nossa desigual sociedade, e isto é repetido ao longo de vários anos. A discursos discordantes, os empresários e os políticos são corruptos e exploradores, a resposta seria anarquia ou um regime verdadeiramente democrático, a divisão das terras.
Sendo um ou outro a linguagem não parte do cotidiano ou da ação, ela está carregada pela vontade pela crença, que pode ser tornar real sim não negamos isto. Mas também pode ser utilizada para manter as coisas para nos distanciar da realidade, como um fim em si mesmo sem qualquer utilidade prática. Tendo inicio no que Franklin chama de defecção perceptiva e ressonância perceptiva, ou seja, não percebemos ou esquecemos aquilo que não está em nossa estrutura e ressaltamos o que a corrobora. Esse cerco sobre si mesmo é o obstáculo.
Por
Ramon Pimentel.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
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