sexta-feira, 29 de maio de 2009

Comportamentos...

Segundo Franklin Fearing, as reações enquanto respostas a estímulos dependem da totalidade de fatores culturais e de personalidade que cada pessoa leva para a situação, ou seja, a bagagem cultural e simbólica de cada indivíduo é que determinará a maneira com que responderá aos estímulos expostos pela comunicação. Serão os conteúdos adquiridos pelos sujeitos anteriormente que farão com que não haja apenas uma transmissão de idéias de forma pragmática. A partir de valores próprios o indivíduo é capaz de produzir um julgamento crítico das concepções formuladas pelo comunicador. O indivíduo dotado de capacidades múltiplas, para alcançar, os que o autor designa metas, utiliza todo o seu conteúdo simbólico cognitivo para superar todas as dificuldades que se apresentarem para a conquista do seu objetivo. Durante esse processo estará dando início à estruturação da sua realidade que se apresenta como meio para a criação do seu “universo”, que lhe permitirá “ver a situação de uma perspectiva especial”.
Para o sujeito, a fase de estruturação pode ser algo automático pensado instantaneamente para a resolução de coisas simples ou mais complexas.
Segundo Franklin Fearing, as transações perceptivo-cognitivas desse indivíduo com o mundo exterior, o universo das coisas, não são simples. O autor destaca os estudos de Werner, porque esse distingue entre a percepção “técnico-geométrica” e a “fisionômica”. A fisionômica é distinta da técnico-geométrica na medida em que é um modo de cognição em que o mundo exterior é diretamente apreendido como manifestando a sua própria forma interna de vida, é quando a distinção entre percebedor e percebido não podem ser notadas, se confundem. No outro extremo desse continuo perceptivo está o modo técnico geométrico, que separa nitidamente o percebedor do percebido, é mais objetivo e defende o pressuposto que o universo externo pode ser descrito por um observador neutro, isento de motivos pessoais, imparcial. É o modo mais sancionado na sociedade atual, minimizando a capacidade fisionômica de relação com o universo.
Seja na rua ou no bairro, na aldeia ou na tribo, no universo real ou imaginário, a relação entre os homens tem os campos de estímulos comportamental e geográfico em sua configuração. Para o primeiro termos como: “sentido”, “crenças”, “valores” esclarecem seu significado e remetem ao estudo dos comportamentos mostrados por Pierre Clastres em “O arco e o cesto” e por Piere Mayol em “Conveniência”. Compreendendo o ambiente geográfico como estável e “real”, há de se entender também que ele permite uma variedade de meios comportamentais e é de suma importância respeitar e conhecer mais sobre esses ambientes diversos. Sempre suscetíveis a discrepâncias, diferenças e tensões, os ambientes podem ser reestruturados cognitivamente reduzindo ou anulando qualquer problema social (seja ele uma desavença com um vizinho ou uma grande guerra entre países).
Convenientemente ou não, as técnicas de comunicação têm um papel predominante nesse processo, pois exigem serem compartilhados no mínimo a certo grau. Produzem-se assim universos compartilhados para a “satisfação geral”.


Por Isabela Sales e Thirza Santos.

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