terça-feira, 4 de agosto de 2009

Mídia e Escola: perspectivas para políticas públicas

Fernando Rossetti, em seu livro Mídia e Escola: perspectivas para políticas públicas, apresenta observações sobre o campo ecucomunicacional (comunicação e educação), trazendo à tona o processo de interação e a construção do conhecimento através do diálogo e das experiências adquiridas ao longo da vida. Desta maneira, o acompanhamento da educação infantil e a inserção de tópicos comunicacionais, corroborarão para a promoção de políticas públicas.

As observações de Rossetti são feitas a partir do trabalho desenvolvido por algumas ONGs, notando criteriosamente a relação da mídia com a escola, apontando para novos horizontes na formação crítica individual pela difusão da informação e a reestruturação midiática. Em meio ao que é desenvolvido por estas entidades, o autor sugere que tomemos como exemplo os resultados positivos, a fim de transformá-los em políticas públicas de comunicação e educação.

Foto senado.gov.br (Quantidade e qualidade da mídia influenciam a saúde das crianças e adolescentes)

Nos seis capítulos do livro, o autor questiona os métodos utilizados pelas escolas tradicionais, em que se usa o conhecimento pra fortalecer discursos, ao invés de promover a geração de novas lógicas. Ele defende ainda que as crianças estão cerceadas por “cargas de informação” e que, muitas vezes, não há aprofundamento nem discernimento do que lhe é benéfico ou nocivo.

Partindo do ponto de vista de teóricos como Martin-Barbero e Paulo Freire, Rossetti insere as explanações sobre tecnologia, comunicação e educação libertadora nos seus apontamentos, orientando os professores a fomentar a formação continuada e a profusão do conhecimento a partir dos signos da comunicação em que são incluídos todos os tipos de símbolos emitidos pelos meios, como os da publicidade, do jornalismo ou qualquer outro. Neste ponto, Rossetti se aproxima de Franklin Fearing (A Comunicação Humana), em que ambos defendem a formação do indivíduo através da interação com a comunicação. Neste processo de comunicação e educação são gerados estímulos, com os quais o indivíduo se locomove. Sendo assim, a comunicação pode estar numa placa de trânsito, num cavalete de obra no meio da rua, numa faixa preta numa loja fechada(luto), numa luz vermelha, entre muitos símbolos, comunicando e gerando um fluxo de informação entre o sujeito e o mundo. Quanto mais se percebe e se conhece estes signos, mas se detém discernimento e altivez social.

Desta maneira, o envolvimento da comunidade nos projetos desenvolvidos na vida escolar e nas redes comunicativas, facilitaria a formação de produtos educomunicacionais que sortiriam efeito com mais eficácia, além de favorecer a inserção dos cidadãos nos produtos midiáticos. Seria um trabalho em que a comunidade educadora promove a participação dos alunos, incumbindo-lhes o dever da construção de políticas públicas educacionais. Mesmo que os projetos observados tenham rendido resultados satisfatórios, Rosseti afirma que não é fácil computa-los qualitativamente, uma vez que eles são estendidos a todo e qualquer indivíduo que tenha ligação com o projeto.

Hoje, os educadores buscam implementar o ensino com ferramentas formadoras de opinião, haja vista que há a tentativa de democratização social e acesso aos meios educacionais e comunicativos, como é o caso da formação de diretrizes básicas de educação e a inserção de jovens de baixa renda no ensino superior privado, através de programas como PROUNI (Universidade para todos) ou “Pedagogia da Terra” (direcionado aos integrantes do Movimento dos Sem Terra) e a valorização do magistério, como ponto crucial.

Contudo, o autor tenta desvendar os nossos olhos para o balizamento ofertado pelos meios de comunicação, através do desenvolvimento educacional desde os primeiros passos até a formação crítica individual e a geração de políticas públicas eficazes, capazes de transformar o ato de um sujeito em uma cadeia de ações beneficiadoras do restante da sociedade, criando um círculo vicioso capaz de sanar as tensões sociais, que neste caso, agiria para a melhoria da vida em comunidade.

Por

Wllyssys Wolfgang

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Ambientes Educativos

(Texto de Ramon Nascimento Pimentel Andrade)

Móveis antigos, pessoas em silêncio na entrada um livro de ata em cima da mesa. Um clima austero disciplinador. O salão é similar ao que aparece em filmes ou em demonstrações na televisão, estar em um é bem diferente.

Para um iniciante, alguém que nunca esteve ali ou em algum lugar como aquele, pode se surpreender com a sisudez e acreditar que algo muito sério vai acontecer, ou já se passou, digo alguma repreensão ou reclamação, uma briga ou até mesmo uma expulsão.

Mesmo assim é fácil acreditar que algo desse tipo é iminente ou pode ocorrer a qualquer momento afinal vendo-se todos debruçados, concentrados sobre seus pedidos, apesar de estarem tão perto, um de frente e ao lado do outro e não haver nem uma troca de olhares, e se houver um olhar ou alguma palavra ela e furtiva curta, como algo fora do lugar, ilegal.

Não é um ambiente acolhedor, mas por necessidade você assina a ata, diz o que quer o funcionário se dirige e busca a sua solicitação. Sua mochila ou bolsa e devidamente guardada antes que você entre no recinto e sentado aguarde até ser atendido.

A ordem e o clima austero parecem perenes imutáveis, até que um celular toca, num alto e engraçado som, alguns se assustam outros riem e outros se incomodam. Toca pela segunda vez e as mesmas reações se apresentam, desta vez o rapaz trata de desligar o aparelho.

O padrão foi abalado, mas logo voltou ao normal, ao entrar todos sabiam das regras e se sujeitaram a elas, quebrá-las seria incoerente, se submeter é esperado e inquestionável, as normas já estavam ali antes de chegarmos, por motivos que deduzimos, elas são eficientes em algum sentido, faz as coisas acontecerem.

Sabemos quais são as leis não por palavras ou anúncio o qualquer tipo de conversa, vemos os outros agirem, vemos as disposições das coisas, os espaços, a mesa e o livro aberto. Aquilo existe estamos vendo.
Estamos de passagem, elas parassem eficientes, conseguimos o que queremos, estamos lendo e nos comportando da mesma forma, apesar das diferentes reações continuamos fazendo a mesma coisa sentados nos mesmo lugares, numa unanimidade, estamos num ambiente construído antes de nos estarmos ali, não fizemos parte de sua elaboração, aliás é uma dádiva, o local existe para prestar um serviço para ajudar.

As cadeiras, as pessoas, o livro de ata, os livros a disposição, os funcionários. Tudo indica, uma colaboração um auxilio, ali somos persuadidos, a agir e a reagir de forma a se adequar ao local, a imitar os que estão ali, e por que não, conseguimos o que queremos sem risco de sofrer qualquer retaliação ou perda.

Os que entram na escada e estão na recepção tem uma conduta mais solta descontraída, mas ao passar pela mesa algo acontece estamos num outro meio, sua ordem foi feita provavelmente por quem o criou, os trabalhadores o mantém, nós que só pedimos, somos beneficiados.

Não construímos, não fazemos parte, estamos de passagem, não poderíamos ficar não é uma casa, não estamos envolvidos não podemos e não devemos alterar nada. A mera sugestão seria ridícula, insensata. Esse é o ambiente, ou melhor, a impressão que se tem quando se entra na biblioteca da Diocese, em Juazeiro, Norte da Bahia.

Numa sala de aula, a mobilidade é maior, mas como atender as exigências da educação com os meios, ensinar português, matemática e demais temas necessários para vestibulares, concursos e exames de admissão em geral, e o professor ainda mantém em tornos de si o foco das atividades, não a troca.

De onde partiriam as mudanças? E como as tecnologias, computador, rádio seriam usadas nesse contexto? Como elas iriam melhorar a educação? Como ensinar a ter uma visão critica dos meios de comunicação se os jovens muitas vezes não a exercessem na escola, e não se sentirem a vontade para isso?

Alguns ficam entre o desinteresse e a apatia, entre a falta de compromisso com os estudos e a rebeldia destrutiva. E quantas pessoas usam a tecnologia para se informar e exercer sua cidadania? Boa parte vê nesses meios apenas instrumentos de diversão. A propaganda os vende dessa forma: status e entretenimento.

Como inserir a critica aos meios e utiliza-los para a ampliação do ensino e o aumento da qualidade da educação? Esses meios tem distanciando muitos de sua realidade, a autonomia, o dialogo a reflexão criativa e o agir sobre a sociedade, preconizados por Paulo Freire, tem sido relegados.

Não que a tecnologia, câmeras digitais, internet, gravadores, imponha esse tipo de comportamento ou conduta. É no contexto social que o uso e a disseminação dessas ferramentas ocorrem.

As questões são muitas e os desmembramentos são difíceis de serem antecipados. A distância entre educação e entretenimento e a conseqüente percepção que se tem da educação tradicional e da inserção da tecnologia, do seu uso, são conflitantes.

Nessa situação um outro local ou locais de ensino que não remeta a sisudez e controles desses tradicionais ambientes. Onde todos possam participar e se sentir a vontade, pois construíram e são parte constitutiva daquele cenário. Onde não necessariamente aja alguém no centro produzido ao dando pronto o debate mas aquele(s) com mais vivência e experiência em determinado assunto possam se destacar naturalmente .

As novas ferramentas da comunicação possam ser usadas de acordo com as práticas e interesse de todos desde se respeite o olhar de cada um sobre o seu meio, quais as atividades que mais lhe chamam a atenção, onde eles se sentem capaz de agir, de resolver problemas de criar soluções.

Onde a tecnologia não repita a formula restrita da absorção de conhecimentos, sem ao menos vislumbrar onde ela poderia ser utilizada. Um(s) ambiente(s) onde a observação e a experimentação fossem valorizadas tendo os meios como ferramenta, e não como um fim em si mesmos. Em que a estrutura não fosse disposta de forma rígida, onde as divisões estivessem preestabelecidas, simulando um fábrica.

As ferramentas da comunicação se encaixam nesse cenário ou não. No Chile entre 1970 a 1973, o governo de Salvador Allende promoveu uma distribuição generalizada e gratuita dos dados da economia nacional, com o objetivo de auxiliar os trabalhadores a tomarem medidas para melhor investir seu dinheiro. Os dados eram armazenados num computador central e distribuídos nas fábricas.

Sem uma mudança no atual sistema de funcionamento da educação, refletida nos locais de ensino, o potencial que as tecnologias tem para viabilizar ações de denúncia protesto e divulgação de conhecimento ficam comprometidas, continuará sendo a visão de uns poucos legitimada pela presença inativa de muitos.

Uma sala de aula com lousa digital, DVD e computador pode, e provavelmente vai captar a atenção de muitos, porém por si só não irá conscientizar os estudantes para o seu papel na história. Uma nova conformação no ambiente escolar acompanhada a uma nova postura diante do poder dos novos meios e da participação ativa de todos.

Prioritariamente uma mudança de ideologia, de paradigma, se assim não ocorrer, as novas tecnologias, com seu encanto natural, irão ampliar o fosso dar nova vida a um sistema deficitário, no qual alguns estudantes conseguem sair sem graves danos, dando uma nova roupagem, mas sendo essencialmente mais do mesmo. E o encanto só dura quando a tecnologia é “nova”.

Bom os problemas são claros visíveis e bem discutidos, apontar falhas é um bom esporte, fácil e não exige riscos. Porem a questão aberta pela tecnologia é: o acesso a informação e a sua vinculação. Se o professor pedir uma pesquisa antecipando o conteúdo da aula possivelmente não haverá desculpas.

Unindo o conteúdo exigido ao cotidiano o estudante seria “jogado” sobre o assunto, por exemplo, adjunto adverbial, água, Revolução Francesa. O tema a ser tratado seria exposto, de forma sucinta, antes da aula final, o(s) estudante(s) produziriam algum material, foto, vídeo, texto, ou todos, expondo o assunto. Sendo adjunto adverbial ele poderia procurar em revistas que costuma-se ler, de gibis a revista de saúde e beleza, na forma de uso da água, ele poderia mostrar como a água é tratada no seu bairro, na sua casa.

Em relação a Revolução Francesa, estudantes que conhecem algum tipo de opressão e desmando e exclusão, demissão sem justa causa, condições precárias nos hospitais, ou quem sabe ele possa descobrir através do site do Tribunal de Contas Da União – TCU – um superfaturamento.

O ambiente sairia da escola da biblioteca, para a rua e locais conhecidos pelos estudantes. A escola, e afins seriam espaços de reunião de encontro, a autoridade do professor estaria em mediar o encontro estabelecer vínculos apontar caminhos usando o que foi produzido.

Atualmente para ser cidadão temos que ter acesso a várias ferramentas principalmente a internet. Outro ponto interessante é que o serviço público está se movendo para esses meios, disponibiliza-los será uma função primária do Estado, senão este será acusado de um novo tipo de exclusão.

Dessa forma seria possível mostra na prática ao estudante a necessidade de criar, fazer dentro do que sabe de acordo com sua aptidão e interesse, usando os novos meios para agir. Como instrumentos que ampliaram nossa capacidade e raio de atuação.

A escola passa a valorizar o conhecimento adquirido por meio da observação da experiência que por menor que seja possui vínculos com o conhecimento cientifico, considerado por alguns como um refinamento do senso comum.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

EU LEVEI KEN PARK PARA A SALA DE AULA


Josemar da Silva Martins (Pinzoh)
Professor

Ultimamente o falso-moralismo ombreia com o discurso de uma “sociedade aberta”. Professores andam sendo chamados a prestar esclarecimentos à justiça, e aos pais dos alunos e à sociedade, sempre que tocam em temas polêmicos. E a polêmica pode ser apenas o uso de um palavrão em sala de aula. O problema é que estamos vivendo, com patrocínio das grandes corporações da mídia e com verba pública, uma cultura do palavrão. Prefeitos não param de contratar bandas que fazem sucesso com sua linguagem chula, para divertir a multidão em praças públicas, cuja presença de crianças e adolescentes é majoritária. Tenho muitas cenas gravadas em vídeo, que sobraram da edição do vídeo “O Estado da Arte da Fuleragem” (2007). Mas nenhum deles é chamado a prestar esclarecimentos nem à justiça, nem aos pais, nem à sociedade como um todo. Todo mundo reivindica para si a “liberdade de expressão” e o seu direito à diversidade, tudo de acordo com uma moralidade e uma ética “a la carte”. Mas professor não! Professor não pode gozar desta liberdade, porque apenas ele é responsabilizado pela formação dos “valores”. Grande piada sem graça!

Mas, como diria Jean Baudrillard – e como diz Odomaria Bandeira – tudo não passa de simulação. Ou mais: puro simulacro! As insinuações de sexo explícito em praça pública e custeadas com dinheiro público, a erotização até dos programas infantis, tudo feito em nome da diversidade e da liberdade de expressão, a violência e o sensacionalismo de programas de TV que vivem de sangue e obscenidade, não resistem a um choque de realidade. Eis porque levei Ken Park (2002), filme de Lary Clark, para a sala do 6º período do curso de Comunicação Social – Jornalismo em Multimeios (DCH III/UNEB).

Conheço tanto os elogios quanto a crítica ácida ao filme. Nos dois casos o motivo é o mesmo: a explicitude com que os temas são abordados e as cenas são tratadas! Há momentos em que tudo é tão real, que a interpretação quase atinge o seu grau zero! Tudo ali! Cru! No duro! Uma mijada é uma mijada, uma chupada é uma chupada e um orgasmo parece ser um orgasmo mesmo! Mas não é um filme erótico, não lhe excita. Pelo contrário: lhe convoca e até lhe insulta! Aliás, difícil é assisti-lo passivamente! A realidade abordada não é feliz, há uma sombra de degradação, frustrações, complexos, profunda incompletude, razão porque se instala uma espécie de utopia juvenil ligada aos prazeres sexuais. Nada demais! O sexo virou um bom negócio até para vender carro, cerveja – e antes para vender até cigarro!

Além disso, há muitos escritos sobre o hedonismo do presente e sobre essa promessa de gozo extra-humano, sempre adiado, promessa não cumprida, razão de tantas frustrações, ansiedades e depressões.

Mas eu levei o filme e o exibi também por outras duas razões. A primeira é uma provocação a esta imagem sempre pretensamente bacana, descolada, liberal, eclética e outros termos típicos da linguagem pós-moderna. Para muitos – os que querem se parecer sempre mais abertos – o filme é um teste. E eles caem! A abertura derrepente se fecha, bruscamente! Não conseguem ver nada no filme! Da minha parte, o filme permite mapear uma sala e apresentar o seu avesso. O avesso do que parece! O avesso da simulação! Cai a máscara do simulacro! Prefiro os outros, os que o encaram e pensam sobre ele, sobre o seu discurso! Os que se pensam vendo filme!

A segunda razão é que estou trabalhando “Comunicação e Educação II”. Tenho sempre claro para mim que aquilo que hoje é nomeado como Educomunicação (que é o centro do sentido da disciplina), não é uma coisa que se faz ao léu, como se fosse uma “arte contemporânea”. Educomunicação é o engajamento da comunicação em algum propósito educativo. E engajamento é algo motivado por uma indignação. Até na filosofia de Heidegger a indignação é princípio motor da reflexão! Não se pode pensar em Educomunicação sem uma intenção de intervir num jogo de forças com vistas a alterá-lo de algum modo. E para isso é preciso vislumbrar algo sobre este jogo de forças! É preciso mapeá-lo minimamente! A questão seria pensar: que jogo de forças constitui a realidade de Ken Park? E se tivéssemos que intervir naquela realidade, sem pretensões totalitárias, que produtos educomunicativos teríamos que pensar.

Mas há sempre os que se acham mais espertos – e mais lindos – que todo mundo. Narciso se manifesta! E como o mundo atual é profundamente relativista, há os que dizem: “e se eu quiser ser reacionário e conservador, eu não tenho direito não?” Derrepente, a gente está diante de uma aula de como organizar uma aula e, o que é pior, diante de uma extroversão do princípio de liberdade de expressão, quando ela atinge seu contrário ao ser levada até as últimas consequências, algo do tipo: "se sou tolerante tenho que sê-lo até mesmo com os intolerantes". Ou o contrário: " se sou tolerante não posso sê-lo com os intolerantes", o que dá quase na mesma. Típico paradoxo de nossos tempos. Tô é velho!
.
Mas, em compensação, saíram coisas fabulosas da discussão. Até uma noção de comunicação que não enxerga comunicação no silêncio, no não dito, no interdito! E isso depois de um texto de Franklin Fearing, sobre a comunicação humana. Também concordo que nem tudo tem que ser explícito, mas o explícito no filme deve ter uma intenção. Por outro lado, penso: que tipo de jornalista se negaria a ver e a pensar sobre um filme como Ken Park, com a desculpa de que nele não há comunicação? E que teoria da comunicação sustenta isso? Acho que só não valeria dizer: “eu disse isso mas vocês pensem o que vocês quiserem”. Dizer isso virou moda, já que qualquer elefante o diria também!

A PECULIAR COMUNICAÇÃO HUMANA

[Este texto eu recebi por e-mail, eu imagino que ele é relativo à atividade programada do dia 26 de maio, mas não há identificação de autoria]
*********************************

Da interação do homem com o meio surge à comunicação. Em um processo de criação, compartilhamento, preservação da vida humana e de suas atividades são geradas situações de comportamento, que serão significadas pelos estímulos (símbolos, signos).
Nessa relação bidirecional, do privado para o público, do interno para o externo, há o processo compartilhado entre o emissor e o receptor do mesmo signo ou símbolo, em que as reações aos estímulos irão variar de acordo com a práxis cultural. Por exemplo, uma piada americana ao ser contada, só terá sentido se o indivíduo compreender, dominar as particularidades do idioma inglês.
O comportamento humano transforma as situações diversas – percepções, sensações e sentimentos, em palavras ou frases. O homem vai através dos símbolos ordenando, classificando e representando o mundo. Ao buscar compor o retrato do mundo, o ser humano tenta articular, através da cognição, os fatores externos, o sistema de valores e a percepção. A realidade vai se construindo, a partir de estratégias simbólicas, produzidas pelos animais, humanos ou não, para atingir um determinado fim.
De acordo, com o Campo psicológico, o homem está sempre em busca da satisfação das suas necessidades ou redução da tensão, criada pela instabilidade no meio circundante. Sempre estamos fazendo suposições automáticas ou instantâneas, acerca de uma provável ação do outro, seja este um objeto ou um indivíduo.
O homem na tentativa de perceber o meio externo, interage com seus valores e crenças, criando uma realidade semelhante (ressonância perceptiva) ou destoante (defesa perceptiva) do universo. Nessa empreitada pelo mundo da percepção-cognição, caminhamos da percepção fisionômica para a técnico-geométrica. Na primeira, mais característica da infância ou das culturas primitivas, somos regidos pelos sentimentos e estímulos desordenados, misturados as cores, cheiros, formas e sons, enquanto na segunda fase, somos dirigidos pela objetividade, pelo racional, em que nos defrontamos com um ser neutro, que busca separar o processo perceptivo do cognitivo.
Nesse jogo de significados, se percebe que não há dois universos, mas que são as diversas percepções de cada ser humano, que cria a falsa ilusão de existirem um mundo real e outro ilusório. Já para os psicólogos, há dois campos de estímulos que fazem com que os “universos” múltiplos coexistam. No primeiro campo, o comportamental, fisiogênico, predomina a subjetividade e sua análise surge a partir dos costumes, crenças, necessidades do indivíduo, enquanto o campo geográfico, já existente, nasce da descrição feita pela terminologia das ciências físicas ou da linguagem cotidiana.
Um exemplo dessa diversidade de quadros da realidade é a tribo Guayaki, que fundamenta e organiza a vida cotidiana de homens e mulheres, a partir dos tabus. São as regras que ditam a oposição dos sexos, através do uso do arco e cesto, da mesma forma em que criam a dicotomia do espaço, dando uma característica peculiar de coletores aos índios caçadores.
Nessa dicotomia de espaço, a floresta e o acampamento ganham significação diferente, para o homem a floresta é um local de plenitude existencial, ao contrário das mulheres, que obtém essa primazia apenas nos acampamentos.
Esta prática está também presente na estrutura dos bairros, através dos códigos sociais tácitos, baseados em sistemas de valores e comportamentos, que coíbem as transgressões dos usuários. Um indivíduo, ao tentar se inserir no bairro e fruir dos benefícios necessita se adaptar ao espaço do meio social organizado, que dita à forma de apresentação do corpo dos moradores, seja no modo de falar ou vestir-se, seja no modo de se apresentar ou de olhar.O meio social impede que haja dissonância nos jogos de comportamento, através do método da conveniência, em que o usuário se vê preso aos estereótipos, para ser identificável no rol dos personagens do bairro. Uma política de rua, baseada nos juízos de valor, em que a conveniência se torna o princípio da realidade, o controle do sistema de comunicação do bairro.

terça-feira, 9 de junho de 2009

ATIVIDADE PROGRAMADA

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS III – DCH III
COLEGIADO DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
DISCIPLINA: COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO II – SEMESTRE 2009.1
PROFESSOR: JOSEMAR DA SILVA MARTINS (PINZOH)

ATIVIDADE PROGRAMADA

Car@s Alun@s,


Hoje comuniquei a Emanuel que estarei viajando para Campina Grande entre o dia 26 e o dia 29 de maio de 2009, onde vou participar do II Simpósio sobre Mudança Climática e Desertificação no Semiárido Brasileiro. Tentei mudar minha viagem para quarta, mas a minha mesa é na quarta, às 14 horas e, pela disponibilidade de vôos, eu chegaria lá depois do horário da mesa. Então tenho que ir na terça-feira mesmo, às 06h00minh, único horário disponível.
Sei que tardei em fazer este comunicado – e até me esqueci de conversar sobre isso com vocês na aula passada. Hoje falei para alguns alunos que ia viajar e não haveria aula, mas Emanuel sugeriu que eu deixasse uma atividade programada, então estou encaminhando a seguinte proposta:
1. Vocês estão com o texto "A COMUNICAÇÃO HUMANA", de Franklin Fearing (FEARING, Franklin. A comunicação humana. In: COHN, Gabriel. Comunicação e Indústria Cultural. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1971, p. 56 – 82). Este texto deveria ter sido discutido na aula passada, mas não houve tempo. Deveria, portanto, ser discutido na próxima aula, que seria esta. Então vamos nos valer dele.
2. A proposta é que vocês, já tendo lido o texto (é minha suposição), ESCREVAM UM TEXTO NO QUAL RESPONDAM, DE MODO DISSERTATIVO E ARGUMENTADO (mas não precisa ser exaustivo), AS QUESTÕES POSTAS ABAIXO:
A) No referido texto o autor afirma que a comunicação sempre visa produzir um resultado, uma reação, dirigir o comportamento, mas ela depende de sentidos compartilhados. Diz ele: "nenhuma comunicação ou significado socializado poderá existir sem que haja esse processo compartilhado através da mediação de certos estímulos chamados signos ou símbolos (p. 59). Mas as reações não são automáticas, elas dependem de certos fatores. Quais seriam esses fatores?
B) Segundo o texto, o que viria a ser o que o autor chama de "estruturação da realidade"?
C) Em que consistiriam as percepções fisionômica e técnico-geométrica?
D) O autor fala de campos de estímulo e situa os campos comportamental e geográfico; fala de objetos de estímulo situados no (e compondo o) "ambiente". Que aproximações essa parte do texto apresenta em relação aos temas que já discutimos em sala: “a conveniência”, “o arco e o cesto”, etc?
3. O texto pode ser feito individualmente ou em grupo (aceito até 5 pessoas por grupo), e após feito, deve ser postado no blog da disciplina (http://www.educomum.blogspot.com/). O prazo para que ele esteja postado é até sexta-feira, dia 29 de maio. Esta atividade, além de cobrir as aulas do dia 26 de maio, também servirá para compor uma primeira nota.
Entendo que, se o texto já foi lido, escrever sobre estes aspectos presentes no texto não apresentará nenhuma dificuldade. A proposta é essa. Ela é viável?
Aguardo as reações de vocês.
Abraços
Josemar da Silva Martins (Pinzoh)
Professor

segunda-feira, 1 de junho de 2009

RESPOSTAS À ATIVIDADE PROGRAMADA

a) O receptor por algum tempo foi visto apenas como um sujeito passivo, que absorvia toda a mensagem que o emissor lhe enviava. Entretanto, alguns teóricos se preocuparam com o conjunto de manifestações que compõem uma relação de comunicação. Como diz Peruzzolo (2004, p.133) há quem fala, que produz um acontecimento comunicativo e há que ouve/lê, que acolhe o texto , mas sobretudo o re-produz. Assim, os protagonistas do intercâmbio são dois sujeitos humanos.

Quando o emissor produz um texto ou qualquer outra forma de comunicação, ele antecipa a representação do leitor com o intuito de ser entendido. O emissor preenche seu texto com marcas culturais familiares ao leitor, desejando que ele entenda a informação nova presente no texto, tornando a relação de comunicação entre eles eficaz. A princípio o destinador partirá do conhecimento prévio do leitor e introduzirá no texto as informações supostamente desconhecidas que deseja transmitir.

Sendo assim, a mensagem utiliza de uma linguagem imbuída de informações, ideologias e impressões previamente compostas pelo autor do texto, que servirá como objeto de comunicação, caso os signos presentes nele tiverem significação simbólica para o leitor.

Tanto o emissor como o destinatário devem compartilhar conhecimentos culturais através da mensagem. Eles devem ter acesso à mesma língua ou pelo menos estarem aptos a decodificar determinados símbolos e compartilhar conhecimentos prévios nos mais diferentes âmbitos (icônicos, visuais, etc.)

No entanto, é importante ressaltar que mesmo o enunciador, tecendo seu interdiscurso para fazer sentido ao enunciatário, a resposta do leitor dependerá de um conjunto de fatores que envolvem a sua práxis social. Ele interpreta de acordo com sua experiência de vida. Como ressalta FEARING, as reações a estímulos nas situações de comunicação não são automáticas e mecânicas, mas sim dependem da totalidade de fatores culturais e de personalidade que cada pessoa leva para a situação.

b) A busca incessante pelo alcance de metas é inerente a natureza humana. Consciente ou inconscientemente, o indivíduo está a todo tempo reorganizando recursos externos e internos como valores e percepções, a fim de reduzir as tensões do meio em que se encontra inserido.
...o indivíduo sempre luta para reduzir as suas tensões. A necessidade de estruturação cognitiva, às vezes chamada de “necessidade de significação”, constitui, na realidade, a necessidade de estabelecer uma estrutura mais estável e, conseqüentemente, reduzir a tensão.

Cognitivamente, ele estrutura situações, universos para depois elaborar estratégias de superação. A isso dar-se o nome de “estruturação da realidade”. Essa estruturação não é um plano desenvolvido de forma consciente pelo sujeito da ação. Ela é automática e instantânea e precede toda e qualquer ação do indivíduo, inclusive em um simples ato comunicativo.

c) A apreensão do universo pelo homem está estritamente relacionada ao sistema de valores que o mesmo tem na percepção da realidade. Ao perceber um universo além do modo técnico-geométrico, que é a visão puramente objetiva do que é observado ou descrito, ele passa a se valer da percepção fisionômica que é a capacidade de perceber esta mesma realidade ou espaço com um pensamento criativo, que vai além da decodificação óbvia de signos explícitos para além da subjetividade humana.

d) Os estímulos comportamentais e geográficos, que regem as mais distintas formas sociais, estão intimamente ligados, exercendo interferências entre si. Cada sociedade vive sob o ditame de suas regras e convenções, campos comportamentais, que são determinados pelos campos geográficos: o próprio meio onde o grupo social está inserido.

Essa relação estabelecida mantém as estruturas sociais existentes, mesmo contrariando as possíveis aspirações individuais, que muitas vezes vão de encontro com os padrões preestabelecidos por cada grupo ou comunidade.


(MARCELA DIAS, MARIA DIONISIA E SÂNGELA RIBEIRO)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

A subjetividade na construção de uma comunicação de sentido


No texto, A comunicação humana, Franklin Fearing faz consideraçõessobre o modo como se estabelece a interação do entendimento do homemapresentando uma cadeia construída na dependência das relaçõesmediadas a partir de questões culturais e individuais na produção deresultados que satisfazem a produção comunicativa. Segundo o autor quando o emissor tenta comunicar algo ao receptor,alguns fatores são importantes e decisivos para saber se haverá ou nãocomunicação.

Para tanto, o processo necessário para obtenção desteresultado deriva de uma construção não mecânica, pois depende dasrelações humanas, ou seja, sentimental, comportamental (pensamento econdutas). Desse modo, para que ocorra alguma mudança no comportamentohumano, é necessário haver um sentido compartilhado pelo produtor doestímulo e por quem é estimulado.Um desses “sentidos compartilhados” pode ser encontrado no que GeorgeH. Mead chama de “Assumir a atitude do outro”.

Isto é, um determinadoemissor, não estimula ou busca uma comunicação com o outro ao acaso,sem intenções, ele tem uma atitude e espera uma reação do receptor,reação essa que, o emissor seja capaz de tê-la também.Para que o receptor seja capaz de compreender toda essa intencionalidade do emissor, ou tenha algo parecido com a reaçãoesperada, é necessário que este receptor esteja a par dos códigosusados na tentativa de comunicação. Isso, a depender do caso, podefazer com que as reações a um determinado estímulo possam variar.Um bom exemplo a tomarmos é o da música, uma sinfonia, para ser maisespecifico. A reação que ela irá causar no ouvinte dependerá deinúmeras variáveis. Uma delas é o conhecimento musical que ele tem, seapresentarmos a 9º sinfonia do Beethoven, ou a 40º do Mozart, ou aindaa 1º do Tchaikovsky para alguém que tenha uma boa noção de música,certamente ele ficará impressionado e gostará muito.

Já se a pessoaque ouvir, não tiver noção de música, não tiver um ouvido acostumado àmúsica clássica ou simplesmente for pouco sensível à música, muitoprovavelmente ele terá um sentimento de aversão, mesmo diante daquelasmúsicas que são consideradas as mais perfeitas que já existiram.A estruturação da realidade é outro ponto levantado por Fearing. Otexto faz uma análise a partir das relações sociais vinculadas aopsicológico, visto que para explicar as dinâmicas do relacionamento sefaz necessário também o comportamento individual.O texto explica que os indivíduos de uma sociedade estão eternamentebuscando alcançar "metas", para isso eles traçam um caminho eestruturam suas ações visando realizar seus desejos.

Quando o indivíduo percebe que algumas forças estão ao seu favor e outrascontra, e na maioria das vezes essas forças vêm da relação entre ele eos demais indivíduos da sociedade na qual se relaciona diretamente ounão, ele começa a realizar o que o autor chama de "estruturacognitiva".Outra idéia exposta no texto trata do fato das pessoas reduzirem atensão, e o que seria a tensão? A tensão seria a pressão ou aperturbação causada antes do indivíduo alcançar suas metas. Nestemomento, acontece um fenômeno que consistiria na idéia de que uma novatensão surgirá exatamente quando acabar outra, ou seja, ao alcançaruma meta, surge uma nova.Os seres humanos são altamente complexos tanto na estrutura físicacomo na psicológica, imagine a infindável possibilidade de suposiçõesque podemos fazer de uma pessoa, isto acontece a todo o momento.

Para exemplificar podemos citar uma situação em que o candidato a empregoestá diante de uma entrevista com seu empregador, a cada resposta dadaé quase claro que ele analisou a personalidade do empregador e tentoumoldar sua resposta as supostas expectativas.

Existem situações cotidianas que certamente não fazemos uso dessaintenção em tudo que dizemos, mas o autor deixa claro que isso podeocorrer de forma inconsciente.De acordo com Franklin Fearing a distinção entre as percepçõesfisionômica e técnico-geométrica está na relação das pessoas com osobjetos (símbolos) que as cercam. Na primeira, não há separação entreobjeto e pessoa. A exteriorização do significado do objeto parte dointerior de quem vê, ou seja, depende da “atitude motora e afetiva dosujeito”. O significado de uma obra de arte, por exemplo, segundo apercepção fisionômica, está ligada ao repertório cultural de cadaindivíduo e não na obra em si.Já na segunda, como o nome já diz, a apreensão do significado doobjeto acontece de forma técnica. A pessoa se coloca como umobservador neutro, que avalia o objeto independente de suas crenças evalores, ou seja, são levados em consideração aspectos gerais e nãocaracterísticas destacadas pelo sentimento de quem vê.Aspectos presentes neste texto, como os campos estímuloscomportamentais e geográficos puderam ser observados em discussões nasala.

Tanto em “A conveniência”, quanto em “O arco e o Cesto” há umarelação entre esses aspectos.Em “A conveniência”, Pierre Castle fala sobre a necessidade que a serhumano tem de adotar comportamentos “aceitáveis” para que possacompartilhar de forma harmoniosa o espaço geográfico do bairro com osoutros moradores.“O Arco e o Cesto”, o autor mostra costumes e regras de organização datribo Guayaki. As tarefas da comunidade são divididas entre homens emulheres. Eles, os portadores dos arcos, têm o dever de caçar e provero alimento para a família. Elas, proprietárias dos cestos, sãoresponsáveis pelas tarefas domésticas.Os dois textos mostram a necessidade de estabelecer regras(comportamentos) para que os espaços geográficos, no caso o bairro e atribo, sejam desfrutados pelos habitantes de forma harmônica.

Allan Morais, Adriano Diniz, Evelin Queiroz, Thiago Gonçalves e Will Carvalho

Comunicação: estímulo e percepção.

O texto “A comunicação Humana”, de Franklin Fearing, retrata as relações humanas. Segundo o autor, “a comunicação sempre visa produzir um resultado”, que pode ser uma reação, estímulo ou as relações sociais. Um dos fatores seria o estímulo, que são produzidos pelos seres humanos e servem para estabelecer um relacionamento específico, entre o emissor e o receptor, que trata-se de uma relação bidirecional, onde os envolvidos dividem suas experiências. São os símbolos e signos as formas da comunicação, ou seja, produtor de estímulo, cuja reação pode ter uma variedade enorme de reações, deve-se levar em conta também quem seria o receptor, sua personalidade, valores culturais e que leitura da situação ele detém.
Todas as relações entre os seres humanos estão impregnados de conceitos, valores e sentimentos, os quais estão sempre relacionados ou avaliados por experiências anteriores e da mesma forma são estratégias simbólicas. Ao agir dessa forma, diz-se que o indivíduo estrutura cognitivamente a situação e para isso poder viver. Isso é representado através de fatores internos e externos; e são pré-requisitos para a formação de conceitos e ordenação das informações que o levam à ação. Essa, é a dinâmica de comportamento, estabelecendo-se diversas relações com o meio e consigo próprio. E, então, há uma constante relação entre a realidade em que se vive e, a necessidade dos outros.
Segundo Werner, existem as percepções fisionômicas, que são as formas como cada indivíduo vê o mundo, a natureza, os lugares, as pessoas e está diretamente ligado a sua própria forma interna de vida. Há uma fusão dos sentimentos com a leitura do mundo a partir de cada indivíduo. Em contra partida, a percepção técnica-geométrica separa claramente o percebedor e do percebido. Num olhar neutro observará apenas a geografia das coisas de forma que enfoque, apenas, a realidade.
Fazendo uma breve comparação com os textos discutidos em sala, percebemos que o texto “O Arco e o cesto” retrata que a nossa vida na sociedade é formada por uma convenção, ou seja, o ser humano nasce e não tem noção dos conceitos pré-estabelecidos, mas aprendi com o tempo, a criação e,principalmente, com o meio. Já no texto, “A conveniência”, ele toma como exemplo a vivência no bairro pra retratar que nós vivemos nos adaptando aos meios, aos locais, com os outros. Moldam-se às situações, uniformizam condutas e relacionamentos, isso acontece, porque precisamos estabelecer boas relações com as pessoas que nos cercam. Dois campos de estímulo que devem ser ressaltados são: o comportamental, que é campo visto pelo indivíduo em particular, o subjetivo e o geográfico é o espaço físico e tem sua configuração como ruas, avenidas e cada indivíduo tem sua interpretação do meio que vive. Para Franklin, “as técnicas de comunicação têm um papel predominante nesse processo, pois exigem serem compartilhadas no mínimo a um certo grau.” Esse é o fator primordial pra a comunicação humana.

Por: Carilene Xisto, Giorgia Kelsen, Illa Grazianne e Laiza Campos

SINAIS

Toda a história do homem sobre a terra constitui permanente esforço de comunicação. Desde o momento em que os homens passaram a viver em sociedade, seja pela reunião de famílias, seja pela comunidade de trabalho, a comunicação tornou-se imperativa. Isto porque somente através dela os homens conseguem trocar idéias e experiências.
A comunicação é caracterizada pela disposição de um conjunto de objetos e signos Por mais naturais que os processos comunicativos sejam, eles não ocorrem de maneira automática. Segundo Franklin Fearing em seu texto A comunicação humana, as situações de comunicação “dependem da totalidade de fatores culturais e de personalidade que cada pessoa leva para a situação”.

A comunicação geralmente ocorre por meio de estímulos, e esses são produzidos visando um determinado fim. Para que esse fim seja alcançado, o indivíduo produtor do estímulo deve estabelecer uma relação com aqueles que irão recebê-lo.

Além disso, é importante considerar que esses estímulos são símbolos e devem ser codificados. Dessa forma, a segunda questão necessária à prática da comunicação é o fator cultural, uma vez que os estímulos podem provocar as mais diversas reações, dependendo da realidade de cada indivíduo.

O terceiro fator determinante para a prática da comunicação é o surgimento de uma “relação” entre as duas partes envolvidas no processo, o indivíduo que produz e o que recebe o estímulo. A comunicação só se concretiza se o receptor for capaz de responder ao estímulo produzido.

A capacidade do animal homem em aprimorar, detectar e perceber quais os pontos favoráveis e desfavoráveis, o faz estruturar cognitivamente as situações. Dentro dessas lutas e busca de conquistas das metas, entram os valores, as crenças, a força da física, os órgãos dos sentidos e tudo é muito complexo, mas se consegue estruturar essas circunstâncias e trazê-las para a construção do todo ao final do resultado que tanto se buscou.

A Percepção fisionômica é o modo de cognição em que o mundo exterior é diretamente apreendido como manifestando a sua própria forma interna de vida. A percepção do mundo exterior se relaciona com as impressões que o individuo já tem dentro de si.

É um processo que não se dissocia na percepção de algum ato, sensação e etc., ou seja, o eu e o não – eu, o ser e o não ser se fundem e não se pode distinguir o “percebedor” do percebido. isso acaba influindo no resultado da experimentação do eu interior com os fatores externos que são absorvidos. Esse tipo de percepção afetiva do sujeito é mais característico de crianças e de pessoas que segundo o autor são chamadas culturas primitivas.
A outro tipo de percepção é o técnico-geométrica que permite separar “percebedor” do percebido. É o modo da ciência objetiva. Baseia-se no pressuposto de que um individuo, pode descrever qualquer experiência externa de forma neutra, capaz de excluir os seus próprios sentimentos, atitudes e crenças da sua percepção.
É o modo mais sancionado na sociedade já o modo fisionômico é sistematicamente desencorajado, apesar de se essencial para a criatividade para se perceber o que se passa abaixo do que está exposto em situações corriqueiras encontradas em diversos meios e ambientes.
Determinados locais exigem comportamentos condicionados, isso pode parecer óbvio, afinal em repartições públicas ninguém vai entrar de chinelo e bermuda e pedindo um aperitivo, mas essa regra corriqueira está mais entranhada na vida cotidiana do que nos percebemos conscientemente.

Pois ocorre naturalmente, institivamente, por uma comunicação clara e objetiva, manifesta pela língua pela presenças e disposição dos objetos, e por outra linguagem mais universal e implícita, a dos olhares das roupas da hierarquia transmitida pela localização das pessoas, pelo tom da voz e pela conformação percebida, ou seja, pela observação, ao verificarmos o modo de agir de cada um.

O ambiente geográfico nos conduz a agirmos da mesma forma nos homogeneíza impedindo manifestações espontâneas, o que Franklin Fearing chama estrutura. Cada um de nós e dotado de uma estrutura, vontades,crenças e desejos. O ambiente busca anular esses vários universo e criar um universo apenas para possibilitar a nossa relação.

Existe somente um universo no qual vive o individuo, preso às suas necessidades, tendo relações com outras pessoas, o universo em que o homem ama e morre”. (Franklin Fearing)

Como se o ambiente geográfico estabelecesse uma lei implícita e poderosa baseada no comportamento no modo de falar de vestir de agir, que muitas vezes exprime diferenças conceituais e de origem entre os indivíduos, chegando até mesmo a manifestar a hierarquia entre os indivíduos.

“O universo criado pelas atividades humanas não é somente um mundo de coisas; é um universo de intenções e significações”. (Franklin Fearing)

Esse choque entre meio ambiente e estrutura está explicito nos textos de Pierre Castle, O Arco e o Cesto e Conveniência, onde a relação das pessoas com o meio e consigo passam por, como diz Franklin, “objetos de estimulo”. Em conveniência Castle descreve um bairro, onde os novos moradores rapidamente se adaptam ao “ritmo” do local definido pelas construções, praças, ou seja, pela forma como as pessoas usam e se adequam a estes locais.

“As estruturações decorrentes são reais, pois tem influências reais ou objetivas sobre o comportamento”. (Franklin Fearing)

Na sociedade indígena Guayaki, essa estruturações já estão fixadas com os seus respectivos objetos símbolos, a o arco e o cesto, representam a divisão da comunidade em dois mundos o masculino e o feminino, todas as atividades se baseiam nessa relação, os homens caçadores as mulheres coletoras.

Um não pode tocar no objeto do outro. Se a mulher tocar no arco de o homem trará sobre ele o pane, um tipo de azar que irá torna-ló incapaz de caçar, o que é um risco teria para uma tribo que não domina a agricultura, se um homem tocar o cesto de uma mulher atrairá o pane sobre si.

Se o homem perder a habilidade na caça perde a condição de “homem” e se torna na prática um mulher, e a atitude primeira a se tomar é retirar o seu arco e entregar um cesto. Isso não é difícil de perceber no atual estágio da nossa civilização.

Alguns objetos se tornam característicos de um grupo social, de uma faixa etária, até mesmo um corte de cabelo como no caso do Emos, alguns chinelos e roupas característicos de pessoas consideradas rippies, é claro que em muitas situações os objetos não manifestam as “reais” crenças dessas pessoas, porem por mais paradoxal que seja isso faz parte da nossa realidade.

As outras pessoas reagem de determinadas formas dependo de como cada um se veste e onde se encontra, as pessoas reagem sobre si mesmas se controlam a partir de sinais de poder e ordem encontrados num repartição da justiça de desenvoltura na casa de um amigo, mesmo as falsas impressões moldam o nosso comportamento e isso tem um efeito, dificilmente mensurável, mas efetivo sobre a nossa vida cotidiana.

Por
Daniele Valois
Eudes Sampaio
João Barbosa
Ramon Nascimento
Wellington Júnior

A percepção

A comunicação humana é algo inerente ao ser humano. todos os dias, nos deparamos com uma gama de situações de comunicação, seja através de um bom dia dado a um conhecido, no manusear de objetos ou ao freqüentar lugares. Essa socialização está diretamente ligada a sentimentos compartilhados ou provocados.
Franklin Fearing afirma no texto A Comunicação humana que os seres humanos produzem estímulos com o objetivo de moldar ou dirigir o comportamento numa direção específica. Essa comunicação se dá através de meios que consequentemente permitirão ao emissor alcançar certos fins, para isso, é necessário que haja no receptor um interesse na mensagem que está sendo dita, ela deve despertar sensações e reações.
Condições físicas, problemas, subjetividade são alguns dos elementos que auxiliam na mediação desses estímulos, além de fatores culturais e de personalidade que não devem ser ignorados. Desse modo as situações de comunicação agem diretamente nas relações humanas que por sua vez está permeada de realidade. Há uma meta a ser alcançada em cada momento de interação, e para alcançá-las será preciso superar tensões, uma vez que cada ser humano traz consigo uma bagagem cultural.
A percepção que temos do mundo exterior a nós tem sua própria organização. Escola, família, trabalho, sinalização, filas, documentos, tudo está no seu devido lugar. Segundo Fearing, alguns psicólogos classificam a percepção como sendo fisionômica e outros a definem como técnico-geométrico. A primeira é um modo de cognição em que o mundo exterior é diretamente apreendido como manifestando a sua própria forma interna da vida. A distinção entre o percebedor e o percebido se perde. A segunda está baseada no pressuposto de que o universo externo pode ser descrito por um observador neutro, capaz de excluir os seus próprios sentimentos, atitudes e crenças da sua percepção.
No mundo atual, a percepção técnica-geométrica é legitimada, apesar de utilizarmos à metáfora no comportamento lingüístico. As crianças e algumas sociedades primitivas podem ser as únicas que ainda vêem o mundo de forma fisionômica. Talvez até as crianças não pensem mais assim.
De modo geral a vida em sociedade nos leva a ter relações com pessoas, espaços, objetos atuando como campos de estímulos geográficos, comportamentais, psicológicos que influenciarão nossas formas de pensar e também serão modificados por nós, esses elementos, são fundamentais na manutenção do espaço social, na reprodução de regras, comportamentos, mitos e histórias.


Joyce Guirra

A Produção Comunicativa

Como diz Franklin Fearing no texto A comunicação humana, a atividade e a vida humana seriam impossíveis sem a comunicação. Sem ela, não existiria sociedade ou cultura, nenhum progresso seria alcançado, nem seria criada a arte, mapeados os céus, explorados os átomos, nem as pessoas sentiriam prazer, raiva ou enaltecimento, e a sabedoria ou a loucura humana não poderiam ser compartilhadas ou preservadas.
Mas, para que ocorra a comunicação, esta necessita de alguns estímulos e estes, são produzidos com o objetivo de moldar ou dirigir o comportamento numa direção específica. Na comunicação, o produtor do estímulo, sempre formula certas suposições a respeito das capacidades e das potencialidades da outra pessoa. Estes estímulos produzidos não são automáticos e mecânicos, mas sim dependem da totalidade de fatores culturais e de personalidade que cada pessoa leva para a situação.
A comunicação é um sistema de transmissão, e analisando por este víeis, este processo consiste na simples passagem de ideias, informação e que é recebida intata ou afetada por alguma interferência causadora de distorção. Ao recebê-la, o indivíduo dotado de uma parcela de subjetividade a interpreta e tenta adaptá-la de acordo com as suas referências e experiências vividas, atribuindo-as, valores e significados.
Ainda de acordo com o autor, a estruturação e esta adaptação da realidade são dinâmicas de comportamentos que utilizam estratégias simbólicas onde o indivíduo estrutura cognitivamente a situação. Essa estrutura chamada de necessidade de significação constitui na realidade a necessidade de estabelecer uma maneira mais estável de interpretação. Assim, na medida em que vivemos, idealizamos o nosso meio, criando um mundo de forma a satisfazer as nossas necessidades como pessoas e amadurecemos o nosso caráter.
O autor, ainda no texto A comunicação humana, na tentativa de elucidar ainda mais este tema, faz uso de expressões como percepções fisionômica e técnico geométrico. De acordo com Fearing, a percepção fisionômica é distinta da técnico-geométrica na medida em que é um modo de cognição em que o mundo exterior é apreendido manifesta a sua própria forma interna de vida. Há uma dinamização das coisas, na medida em que os objetos são entendidos predominantemente por meio da atitude motora e afetiva do sujeito. Já a percepção técnico-geométrico, separa o percebedor do percebido e está baseado no pressuposto de que o universo externo pode ser descrito por um observador neutro, capaz de excluir os seus próprios sentimentos, atitudes e crenças de sua percepção.
A conveniência, por exemplo, traz à tona comportamentos e signos que o indivíduo desenvolve para que haja a interação em grupo, logo, o misto de crenças e percepções é aguçado. Assim como em o “Arco e o Cesto”, “A Conveniência” trata das relações estabelecidas num determinado âmbito social e como estes códigos interferem – como as construções sociais físicas e psíquicas nos comunicam – no desenvolvimento social, uma vez que a convivência coletiva requer mecanismos comunicacionais para a demarcação dos territórios simbólicos de cada indivíduo.

Por
Abgaela Martins
Carinina Dourado
Daianne Maiara
Ricardo Alves
Wllyssys Wolfgang

Comportamentos...

Segundo Franklin Fearing, as reações enquanto respostas a estímulos dependem da totalidade de fatores culturais e de personalidade que cada pessoa leva para a situação, ou seja, a bagagem cultural e simbólica de cada indivíduo é que determinará a maneira com que responderá aos estímulos expostos pela comunicação. Serão os conteúdos adquiridos pelos sujeitos anteriormente que farão com que não haja apenas uma transmissão de idéias de forma pragmática. A partir de valores próprios o indivíduo é capaz de produzir um julgamento crítico das concepções formuladas pelo comunicador. O indivíduo dotado de capacidades múltiplas, para alcançar, os que o autor designa metas, utiliza todo o seu conteúdo simbólico cognitivo para superar todas as dificuldades que se apresentarem para a conquista do seu objetivo. Durante esse processo estará dando início à estruturação da sua realidade que se apresenta como meio para a criação do seu “universo”, que lhe permitirá “ver a situação de uma perspectiva especial”.
Para o sujeito, a fase de estruturação pode ser algo automático pensado instantaneamente para a resolução de coisas simples ou mais complexas.
Segundo Franklin Fearing, as transações perceptivo-cognitivas desse indivíduo com o mundo exterior, o universo das coisas, não são simples. O autor destaca os estudos de Werner, porque esse distingue entre a percepção “técnico-geométrica” e a “fisionômica”. A fisionômica é distinta da técnico-geométrica na medida em que é um modo de cognição em que o mundo exterior é diretamente apreendido como manifestando a sua própria forma interna de vida, é quando a distinção entre percebedor e percebido não podem ser notadas, se confundem. No outro extremo desse continuo perceptivo está o modo técnico geométrico, que separa nitidamente o percebedor do percebido, é mais objetivo e defende o pressuposto que o universo externo pode ser descrito por um observador neutro, isento de motivos pessoais, imparcial. É o modo mais sancionado na sociedade atual, minimizando a capacidade fisionômica de relação com o universo.
Seja na rua ou no bairro, na aldeia ou na tribo, no universo real ou imaginário, a relação entre os homens tem os campos de estímulos comportamental e geográfico em sua configuração. Para o primeiro termos como: “sentido”, “crenças”, “valores” esclarecem seu significado e remetem ao estudo dos comportamentos mostrados por Pierre Clastres em “O arco e o cesto” e por Piere Mayol em “Conveniência”. Compreendendo o ambiente geográfico como estável e “real”, há de se entender também que ele permite uma variedade de meios comportamentais e é de suma importância respeitar e conhecer mais sobre esses ambientes diversos. Sempre suscetíveis a discrepâncias, diferenças e tensões, os ambientes podem ser reestruturados cognitivamente reduzindo ou anulando qualquer problema social (seja ele uma desavença com um vizinho ou uma grande guerra entre países).
Convenientemente ou não, as técnicas de comunicação têm um papel predominante nesse processo, pois exigem serem compartilhados no mínimo a certo grau. Produzem-se assim universos compartilhados para a “satisfação geral”.


Por Isabela Sales e Thirza Santos.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Linguagem

Linguagem



A “distância” que a linguagem pode assumir do acontecimento ao qual se refere e pretende transmitir é um ponto central nos textos de Franklin Fearing, Comunicação Humana, e de Pierre Castle, O Arco e o Cesto. Essa alteração é determinada por necessidades intimas ou valores, crenças e ideologias que tem que ser preservados e fortalecidos para manter o status e o auto-conceito.

Aspectos centrais das culturas humanas modernas e primitivas manifestam esse fato perene, em outras palavras doamos boa parte de nossa energia, tempo e raciocínio para suster a nossa estrutura. Entre o que desejamos e o que existe, entre o ambiente externo e o interno.

Na tribo Guayaki, os homens caçam porém não podem comer a própria caça pois ela pode trazer o pane, um tipo de azar, ele ficara incapacitado para a caça, a tribo é nômade, não domina a agricultura sendo os animais abatidos sua principal fonte de alimento.

Os homens dependem da caça abatida por seus companheiros para alimentar-se. Outra questão é que, devido ao pouco numero de mulheres, os homens precisam dividir suas esposas, ou seja cada mulher possui dois maridos. As mulheres ao mediar a relação entre os dois esposos obtém muitos privilégios.

No entanto para ficarem contente os homens, no seu canto noturno, entoam para si mesmo ao longo de varias horas: “ Eu sou um grande caçador, eu mato muito com minhas flechas, eu sou uma natureza forte”. A razão seria que, “Prisioneiros de uma troca que os determinas apenas como elementos de um sistema, os Guayaki aspiram a se libertar de suas exigências, mas sem poderem recusá-lo no próprio plano em que o realizam e o sofrem. Como, a partir de então, separar os termos sem quebrar as relações? Só se oferecia o recurso à linguagem.” Segundo Pierre Castle.

Temos assim a capacidade de representar a realidade e de ao mesmo tempo de nos separarmos dela pela linguagem, não me refiro as questões como verdade ou mentira, mas a premente característica humana de querer se sobrepor aos acontecimentos ao seu meio social. Dando a linguagem um fim em si mesmo. Não há relação com o outro mas consigo não o mundo social mas o individual.

Essa atividade é resultado da necessidade de atender as nossas necessidades e desejos, chegamos a perder a noção dos vários universos que compõem nossa sociedade.“O eu e o não-eu se confundem”. Isso é característico das crianças e das culturas primitivas.

Onde se nota que os índios relembrem e enaltecem as suas conquistas e de certa forma omitem suas limitações impostas pela sociedade Guayaki, pois afinal o marido principal, o imete, não pode negar a esposa e a sociedade a absorção do excedente masculino por sua mulher no caso o jepetyva, o marido secundário, que na prática possui os mesmo direitos que o principal. Dessa forma “ O “mundo exterior” é percebido em termos da perspectiva do sujeito”.

As sociedades modernas não estão livres da estruturação estas se refletem nos jornais, nos sinais de transito, nos rituais religiosos, mapas... que tem a mesma característica, segundo Franklin, a de terem indivíduos empenhados em “dominar” o seu meio pela utilização de uma serie de técnicas, principalmente “a sutil organização dos recurso simbólicos do homem”.

Livros, jornais, escola, Universidades... sistemas de conformação de entendimento sobre como agir e proceder no mundo, que no fim visam diminuir a incidência de comportamentos imprevistos, espontâneos e por isso desagradáveis de moldar a conduta de acordo com rituais determinados de situar cada um dentro de um limite, estabelecido. È clara que para ser eficiente, isso não está explicito na linguagem, está subtendido ou mesmo inexistente.

Só para ficarmos no que é mais evidente: os empresários são os promotores do bem-estar e do emprego, os políticos são os únicos que podem alterar a nossa desigual sociedade, e isto é repetido ao longo de vários anos. A discursos discordantes, os empresários e os políticos são corruptos e exploradores, a resposta seria anarquia ou um regime verdadeiramente democrático, a divisão das terras.

Sendo um ou outro a linguagem não parte do cotidiano ou da ação, ela está carregada pela vontade pela crença, que pode ser tornar real sim não negamos isto. Mas também pode ser utilizada para manter as coisas para nos distanciar da realidade, como um fim em si mesmo sem qualquer utilidade prática. Tendo inicio no que Franklin chama de defecção perceptiva e ressonância perceptiva, ou seja, não percebemos ou esquecemos aquilo que não está em nossa estrutura e ressaltamos o que a corrobora. Esse cerco sobre si mesmo é o obstáculo.


Por
Ramon Pimentel.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Lembranças Inesuecíveis de Nossa Infância

Olha ai... vale a pena ver... metade de nossa infância tah ai!

http://www.youtube.com/watch?v=WBJvtaRiCmc

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A Comunicação Humana

O texto: A Comunicação Humana, Franklin Fearing, traz uma situação caracterizada pela disposição de um conjunto de objetos, signos e outras presenças vivas, funcionando como estímulo que suscita comportamentos tão distintos quanto as significações a que possamos associá-la. A própria noção de situação, aliás, designa, em um certo momento, um dado padrão de forças dotado de um significado abrangente que se traduz, em padrões de comportamento dotados de uma estabilidade relativa.
Por
Daiane

O Arco e o Cesto

O capítulo O Arco e o Cesto do livro “A Sociedade contra o Estado” do antropólogo francês Pierre Clastres, relata sobre uma comunidade indígena nômade chamada Guayaki que vive na fronteira noroeste do Brasil. O texto descreve os objetos e suas funções, os contextos e seus significados.
Segundo o texto nessa sociedade, a sobrevivência de um membro estará comprometida se abater-lhe a “Pané”, espécie de maldição. O capítulo “O arco e o cesto” desse livro tem o nome dos mais importantes objetos ou símbolos da tribo, que interfere nas existências e define os papéis dos caçadores ou coletores, respectivamente para homens e mulheres.
Uma das regras era que cada um cuida de sua área de competência, não sendo admitido interferências externas. Porém, se um homem toca um cesto, se sente amaldiçoado perdendo o status de caçador, uma vez que a caça é a principal fonte de nutrientes tendo na coleta um complemento.
Dentre os vários pontos interpretados pelo autor, um chama a atenção que é a relação do caçador com a caça. O melhor caçador não é o que mais acumula, mas o de mais habilidade, já que sobrevive da caça do outro, ou seja, cada um caça para a tribo e não pode comer de sua própria captura. Se assim o fizer, será amaldiçoado pela “pané”, o que é uma vergonha, uma desonra,uma mudança de sexo para a comunidade.

Por
Daiane

A Conveniência

A conveniência traz o olhar de Pierre Mayol para a necessidade de convivência de um bairro parisiense, que pode ser comparado a qualquer lugar do mundo. Tal necessidade "leva o usuário a se manter como que 'na defesa', no interior de códigos sociais precisos, todos centrados em torno do fato do reconhecimento, nesta espécie de coletividade".
No texto utiliza a noção de conveniência para definir esta necessidade de reconhecimento social que se estabelece na prática do lugar como uma convenção tácita, não escrita, mas legível por todos os usuários através dos códigos de linguagem e do comportamento. A vivência nesta coletividade, buscando o reconhecimento social, adere ao seu sistema de valores e desempenha comportamentos para cumprir o papel social que foi designado pelo grupo.
A conveniência pode ser comparada a "um gerenciamento simbólico da face pública de cada um de nós desde que nos achamos na rua" . Ela engendra de forma simultânea a maneira com que se é percebido pelos outros e um meio de se obrigar à submissão pela regulação interna que se desenvolve no sujeito, ditando comportamentos adquiridos com a sociedade. Assim os usuários obedecem às regras sem necessariamente dar-se conta disso, pois o padrão está internalizado.
Por
Daiane

quarta-feira, 13 de maio de 2009

COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO: FRONTEIRAS COMUNS NECESSÁRIAS

Josemar da Silva Martins (Pinzoh)
Doutor em Educação pela FACED/UFBA
Professor do DCH III/UNEB
(Texto apresentado na mesa de abertura do Encontro Regional de Estudantes de Comunicação Social – ERECOM 2008, realizado de 30/04 a 04/05/2008, no Departamento de Ciências Humanas III – DCH III/UNEB, Juazeiro-BA)
1. FRONTEIRA COMUM ENTRE EDUCAÇÃO E COMUNICAÇÃO

A relação entre educação e comunicação pode ser pensada, inicialmente, fora dos seus espaços formais, antes de se tornarem campos de práticas específicas que, é importante que se diga, não existem assim demarcados desde sempre.

Um campo, para Pierre Bourdieu, é uma configuração de relações socialmente distribuídas, ou seja, distribuição das diversas formas de capital simbólico ou técnico, que munem agentes específicos em cada com as capacidades adequadas ao desempenho de funções e práticas específicas e relativas às lutas que atravessam e constituem um determinado espaço social. As relações existentes no interior de cada campo definem-se objetivamente, independentemente da consciência individual. Na estruturação objetiva do campo haverá sempre o estabelecimento de hierarquias de posições e funções, tradições, instituições e histórias particulares, em relação às quais os indivíduos são convocados a adquirir um corpo específico de disposições e de competências, que lhes permite agir de acordo com as possibilidades existentes no interior dessa estrutura objetiva; ou seja, aí se produz o habitus de campo, que funciona como uma força conservadora no interior da ordem social do campo específico.

Em suma, o campo, em Bourdieu, é um espaço social onde os objetos sociais compartilhados são disputados por agentes investidos de saber específico, de títulos, de privilégios, de esforços, que permitem acesso aos vários lugares em seu interior, bem como aos diferentes jogos de conflito em seu exterior. Não apenas isto, mas os campos ganham autonomia quanto mais reúnem capacidade para traduzir em linguagem própria, em gramática especializada, os diversos problemas relativos à sociedade e, portanto, são também constitutivos desta. Assim, no interior de cada campo, há seus respectivos sub-campos, onde as disposições e competências são mais uma vez apartadas em práticas ainda mais específicas, com suas áreas de saber e de práticas correlativas. Podemos dizer, portanto, que há não apenas o campo a educação e o campo da comunicação, estruturados distintamente, como também que há sub-campos (ou campos menores) em cada um deles, como é o caso do “jornalismo” no campo da comunicação, ou da “pedagogia” no campo da educação.

No entanto, eu ia dizendo, antes desta constituição como “campos de práticas” específicos, institucionalizados, ritualizados, hierarquizados, com tradições e histórias particulares, a educação e a comunicação pertencem à mesma fronteira da constituição dos sujeitos humanos. Primeiramente porque há sempre uma zona cega onde tanto a educação quanto a comunicação escapam às suas determinações específicas de campo, para constituírem a fronteira onde ocorrem, de forma não sistemática, as diversas maquinarias e processos de produção dos sujeitos. Brandão nos diz que,
Ninguém escapa à educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: para aprender, para ensinar, para aprender-e-ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver (BRANDÃO, 2002, 7).

Da mesma forma Michel de Certeau, Luce Giard, e Pierre Mayol, ao discutirem os modos que adotamos para morar, para habitar um bairro, quando lançamos mão do que eles chamam de conveniência (MAYOL, 1996), confirmam não apenas que a educação diz respeito, de forma bastante ampla, aos processos de subjetivação, como também que, em grande parte, o aprendizado (que é uma coisa de educação) implica a partilha de signos, de mensagens, de códigos ora mais variados, ora mais específicos, o que é já uma coisa de comunicação. Não apenas isto, mas se levarmos em conta a discussão de Suely Rolnik sobre o modo como atualmente a mídia produz o que ela chama de “toxicômanos de identidade”, reforçamos a idéia de que os processos de subjetivação estão hoje amplamente permeados pela comunicação, em particular pelo que conhecemos como “meios de comunicação de massa”. Portanto, para além dos campos formais, nos tornamos homens e mulheres no seio da cultura, integrando comuicação e educação. Nos tornamos sujeitos através de processos que ao mesmo tempo comunicam e educam (ou: educam comunicando; comunicam educando), porque tais processos atravessam nossas experiências cotidianas e nos impõem esforços de interiorização e de exteriorização de saberes e práticas implicam a partilha, que tornam “tornam comum”, que “põem em contato e em relação”, que ligam, unem, transmitem, põem em participação, difundem (FEARING, 1971). Eis o jogo da vida.
2. A DISTINÇÃO E A DISTÂNCIA DE CAMPO

No entanto, educação e comunicação foram separadas como campo de práticas distintas, que formulam distintamente visões de mundo, e organizam práticas específicas na produção do mundo. Esta distinção operou, aos poucos, um profundo distanciamento entre ambos os campos. Por um lado, da educação se exige que ela não seja liberal, pois ela precisa apresentar resultados que devem ser vistos, medidos, objetivados, avaliados, etc. Diz-se, por exemplo, desde o final do século XIX, que os problemas do Brasil se resolverão com educação. Os veículos de informação, os políticos, os empresários, os intelectuais, todos dizem por uma boca só, quanto mais aumentem os problemas de nossa sociedade excludente, que tais problemas seriam resolvidos com educação. Exige-se que a educação dê respostas objetivas, convincentes, no aperfeiçoamento da sociedade.

Ao contrário, o discurso vigente há muito tempo sobre comunicação, não se dispõe a lhe cobrar responsabilidades. Para esta, o que é reivindicado é a manutenção de sua feição de prática liberal. Tome-se como exemplo a propaganda recente da ABP, contra a restrição da propaganda de bebida alcoólica. Portanto, se exige que a educação finalize produtos socialmente requisitados, quando da comunicação, convertida basicamente em agências de notícia e publicidade, se espera, ao contrário, que ela apenas continue “livre”. Sequer se reconhecem que a esta liberdade da comunicação não se estende a todos os seus praticantes, tendo em vista seu histórico atrelamento aos poderes hegemônicos, aqueles mesmos que são também os promotores da manutenção das disparidades sociais, cujo interesse é majoritariamente o negócio e o lucro. É isto o que tem se configurado: a educação vincula-se à imagem de algo que precisa de um fechamento, de uma finalização, de uma concisão, de um acabamento, de uma moral. A comunicação, ao contrário, vincula-se à imagem de algo que está sempre em vias de abertura, para expandir-se livremente, sem que seja responsabilizada pelos resultados que produz, atentando apenas para sua ética corporativa, ou seja, para seus códigos deontológicos específicos e internos.

Neste sentido, enquanto a educação vincula-se a um stase, uma espécie de fechamento, de objetivação, a comunicação desfruta da abertura em forma de uma espécie de ex-stase. Se, por um lado, há objetivos e metas que são exigidas da educação, por outro lado, não ousamos exigir o mesmo da comunicação. Curiosamente a comunicação se esconde por trás de premissas que a educação já abandonou em termos da justificação de suas práticas, como é o caso do princípio de neutralidade. Enquanto na educação há bastante tempo já abandonamos a premissa de que educação é um ato neutro, em comunicação ainda se repete nos cursos de formação de novos comunicadores que estes têm que zela pela neutralidade e pela imparcialidade, como se isso fosse uma verdade. É sustentando-se nessa premissa que a comunicação reivindica sua liberdade de ação, uma liberdade que, como pode ser facilmente demonstrável com exemplos muito próximos de nós, reduz-se á liberdade doa magnatas da informação. Uma rápida leitura de obras como “Sobre a Televisão”, de Bourdieu (BOURDIEU, 1997), nos torna aptos a perceber os muitos mecanismos dos quais a comunicação se utiliza para “filtrar” a notícia e, assim, produzir, um resultado nada imparcial ou neutro. Seria mais honesto se a comunicação jogasse fora a sua tão cara premissa de imparcialidade e de neutralidade, para qualificar de um modo diferente sua reivindicação de liberdade.

Exige-se que a educação seja comprometida com muitas coisas, entre as quais, a mudança social. Quer-se, em muitos casos, engajar a educação em projetos de homem e de sociedade. O mesmo não ocorre com a comunicação, exceto com um setor da comunicação que conhecemos como “comunicação alternativa” ou “comunitária”, que, de todo modo, ainda se interessa em engajar a comunicação em algum projeto de transformação social.

3. A EDUCOMUNICAÇÃO

Temos ouvido e lido, recentemente, muito sobre um novo “campo” que nasce na fronteira entre educação e comunicação. Este novo campo, que tem no professor Ismar de Oliveira Soares (SOEARES, 1999; 2001) uma das suas principais vozes, é a Educomunicação. Encaro este novo campo como uma dessas tentativas de superar as dicotomias e de convocar a educação a ser mais comunicativa, e a comunicação a ser mais educativa. Mas, mais do que isto, o novo campo se configura primordialmente como uma forma de engajar a comunicação, uma vez que a Educomunicação constitui-se de um conjunto de teorias e práticas que nascem intersecção das áreas de Educação e Comunicação Social, com o objetivo propor e desenvolver ações de intervenção social.

Ao agregar princípios da educação e da comunicação para desenvolver uma nova forma de pensar e de agir na sociedade moderna, a Educomunicação torna-se, assim, um novo campo de intervenção social. As outras práticas comunicativas e educativas certamente continuarão tendo o seu lugar, porém, neste novo campo, o educomunicador não é apenas um agente livre e criativo, que liga interfaces ou que produz notícias para os grandes conglomerados comunicativos, mas ao contrário, ele parece se configurar como um poderoso elemento de transformações, a rigor vinculado a algum projeto específico com tal teor. Suas armas são seus conhecimentos recolhidos nos estudos da educação e da comunicação, e são colocadas em ação em decorrência dos imperativos de produção de uma nova ordem histórica, social, cultural e econômica.

Diz-se, costumeiramente que a Educomunicação constitui-se de cinco feições, ou cinco âmbitos de ação, que podem estar associadas ou não, quais sejam:
a) A educação para a comunicação (educação para os meios),
b) A mediação tecnológica na educação compreendendo os procedimentos e as reflexões em torno da presença e dos múltiplos usos das tecnologias da informação na educação (educação através dos meios);
c) A expressão comunicativa através das artes que designa todo o esforço de produção cultural, como meio de auto-expressão de pessoas e grupos, e com caráter formativo e estético-expressivo;
d) A gestão comunicativa voltada para o planejamento, a execução e a avaliação de programas e projetos de intervenção social no espaço de inter-relação entre Comunicação e Cultura e Educação;
e) A reflexão epistemológica sobre a inter-relação entre Comunicação e Educação, correspondendo ao conjunto dos estudos sobre a natureza do próprio fenômeno constituído por esta inter-relação.

O que espera, sobretudo considerando este último item, é que parte do engajamento educomunicativo seja direcionado para a ação produtora de novos discursos sobre a própria comunicação e suas relações ontológicas com a educação e com os processos produtores de subjetividade. O que se espera é que saiamos, através dela, do pós-modernismo celebratório, para um pós-modernismo crítico ou de oposição em relação ao viés meramente liberal da comunicação. Que se achem, através dela, novas possibilidades de se operar uma transformação social que de fato diminua as disparidades sociais do mundo contemporâneo.


Bibliografia

BOURDIEU, Pierre. Razões práticas: sobre a teoria da ação. Capinas: Papirus, 1996.

BOURDIEU, Pierre. Sobre a televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação?. – São Paulo: Brasiliense, 2002.
FEARING, Franklin. A comunicação humana. In: COHN, Gabriel. Comunicação e Indústria Cultural. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1971, p. 56 – 82.
MAYOL, Pierre . A conveniência. In : CERTEAU, Michel de; GIARD, Luce & MAYOL, Pierre. A invenção do cotidiano: 2. morar, cozinhar – Petrópolis, RJ: Vozes, 1996.
ROLNIK. Sueli. Toxicômanos de identidade. In: LINS, Daniel (org). Cultura e subjetividade: saberes nômades. Capinas, SP: Papirus, 1997.

SOARES, Ismar de Oliveira. Comunicação/Educação. A emergência de um novo campo e o perfil de seus profissionais. In: Contrato: revista brasileira de comunicação, arte e educação. Ano 1, n. 2, jan. / mar. 1999.

SOARES, Ismar de Oliveira. Caminhos da Educomunicação. São Paulo: Editora Salesiana, 2001.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Fragmentos de "A Conveniência"

Num bairro são estabelecidas relações onde o contato interpessoal se dá através dos encontros aleatórios, como em elevadores, mercados e mercearias. Desenvolve-se uma coletividade em que os contatos são imprevisíveis e anônimos, levando em conta que não há vínculos referenciais, como os familiares e de amizade. Estes encontros fazem com que os indivíduos mantenham-se como que “na defesa”, permitindo-os identificar-se por códigos sociais precisos, baseados num arcabouço de reconhecimento individual e coletivo.


Por meio deste arquétipo de comunidade, Pierre Mayol em seu texto “A Conveniência, traça um paralelo em que se pode abstrair a conceituação de conveniência e o quanto há de comunicação pelos espaços que nos circundam. A exemplo da maneira que nos vestimos e andamos: são comunicadores, que indicam determinada conformidade com o que indivíduo vestido pensa representar. Neste caso, “o corpo é o suporte de todas as mensagens gestuais que articulam essa conformidade: é um quadro negro onde se escrevem – e portanto se fazem legíveis” estes códigos.

Inicialmente, a conveniência se apresenta como repressora, proibindo, representando as leis e “reprimindo o que não convém”. Mas posteriormente mostra-se como mecanismo de “gerenciamento simbólico da face pública de cada um de nós, desde que nos achamos na rua”, longe dos nossos laços referenciais (amigos e família), orientando-nos na forma de nos comportarmos em determinados ambientes ou situações.

Sendo assim, esta prática torna-se rotuladora, haja vista que “o bairro é um palco ‘diurno’ cujos personagens são, a cada instante, identificáveis no papel que a conveniência lhes atribui: uma criança, o pequeno comerciante, a mãe de família, o jovem, o aposentado, o padre, o médico” etc. E cada um destes personagens nada mais é do que o seu papel, sendo relegado a simples – ou complexa – “representação social”, pois de sua natureza, são abstraídos os “ruídos” ou traços individuais que os

Contudo o processo de conveniência não é unilateral, pois dentro destas comunidades, há um sistema de recognição em que o indivíduo sofre alterações, mas influência ao mesmo tempo, retroalimentando os códigos da conveniência.

Por

Wllyssys Wolfgang
Jornalismo em Multimeios - UNEB
A aula de 12 demaio de 2009 foi para discutir três textos: O Arco e o Cesto (Pierre Clastres), A Conveniência (Pierre Mayol) e A Comunicação Humana. Discutimos os dois primeiros. Depois vimos o filme (animação 3D) Vida Maria (Márcio Ramos). Espero escritos, crônicas, crítivas e comentários da turma neste blog.

Pinzoh
Professor

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A IDÉIA É ESSA!

Bem gente, a questão é seguinte: criei um grupo para a turma de Comunicação e Educação II, cujo e-mail é o seguinte: educomum@grupos.com.br. E criei também este blog. Mandarei para o e-mail de cada um/a o login e a senha para vocês poderem postar aqui neste blog. Mas a idéia é que ele seja um espaço que deve ser otimizado por todos/as. Todo mundo deve postar, comentar, incluir imagens, vídeos, audios... construir partilhas a partir daquilo que vier sendo discutido e vivenciado na disciplina. Convoco a todos/as a contribuirem com esta construção coletiva.
Josemar da Silva Martins (Pinzoh)
Professor